sábado, 27 de janeiro de 2018

TAG Você prefere...


Começando o ano respondendo uma tag (inclusive faz tempo que não fazia nenhuma), para tirar o pó aqui do blog. Tirei umas férias bem longas de leituras e agora estou retornando aos poucos. Mas enfim, essa tag atual não é sobre dizer sugestões de livros que se encaixem em categorias, e sim responder perguntas sobre minhas preferências literárias.

Você prefere...

1. Ler apenas trilogias ou livros únicos?
Livros únicos. Faz muito tempo que não leio uma trilogia realmente interessante.

2. Ler apenas autores homens ou mulheres?
A maior parte dos autores que eu leio são homens, tenho certeza. Agora nunca cheguei a contar se a maioria dos livros que eu gosto mais sejam de homens ou mulheres. Porém, tenho quase certeza que em uma disputa assim venceria autores homens. Mas vale dizer que não leio apenas escritores homens, adoro vários livros escritos por mulheres também.

3. Comprar na livraria física ou online?
Online né pessoal, nem se compara os preços. Esperamos aquela promoção marota para comprarmos.

4. Todos os livros vivarem filmes ou séries de tv?
Filmes, pois nunca fui muito chegado a séries. Às vezes até começo alguma e estou gostando, mas no meio sempre acabo abandonando e não olho mais.

5. Ler 5 paginas por dia ou 5 livros por semana?
5 páginas por dia. Qualidade antes de quantidade, por favor. Mas, vou ressaltar que ultimamente ando tão preguiçoso que até 5 páginas por dia estão difíceis. 

6. Ser um critico de livros ou um autor?
Meu sonho é ser um autor, mas por enquanto sou apenas critico de livros.

7. Apenas ler o seus 20 livros favoritos para sempre ou somente ler livros novos que eu nunca li antes?
Somente ler livros novos que eu nunca li antes. Apesar de nossos livros favoritos voltarem a serem lidos em um momento ou outro, ler apenas eles para sempre é muita tempo, eu enjoaria fácil. E tem muita coisa nova e boa para descobrir ainda.

8. Ser um bibliotecário ou um vendedor de livros?
Bibliotecário, odeio tentar vender algo as pessoas.

9. Ler apenas o seu gênero favorito ou poder ler todos os gêneros exceto o seu favorito?
Eu não tenho um gênero favorito então ler todos exceto o meu favorito.

10. Ler apenas livros físicos ou e-books?
Ultimamente tenho pendido mais para os e-books, desde que comprei meu Kindle Paper White.

É isso, perguntinhas rápidas e simples, algumas respostas até meio óbvias, principalmente para leitores ávidos. Não deixem de conferir o vídeo original das meninas que criaram a tag. E continuem acompanhando o blog durante o ano, não abandonei isso daqui!

sábado, 30 de dezembro de 2017

Desafio Volta aos mundos em 6 livros


Último sábado de 2017, e venho aqui propor um desafio literário para 2018. Basicamente eu criei seis categorias e pretendo ler pelo menos UM livro que se encaixe nos temas escolhidos. E a ideia é literalmente fazer uma viagem por esses "mundos" e descobrir obras maravilhosas. É um desafio bem simples, e dentro da possibilidade de algo que eu consiga terminar.

Mundo distópico.
Mundo futurista.
Mundo pós-apocalíptico.
Mundo cyber punk.
Mundo de fantasia clássica.
Mundo de fantasia sombria.

Então é isso pessoal, boas festas, bom final de ano, comemorem muito e até 2018! Lembrem-se que este post será atualizado sempre que uma leitura for terminada!

sábado, 16 de dezembro de 2017

"Simon vs. a Agenda Homo Sapiens", de Becky Albertalli

Pela primeira vez encontro um livro YA ("Young Adult", ou em bom português, jovem adulto) que consigo gostar. Sim, o livro tem suas precariedades, mas vesti minha capa de adolescente e adentrei a leitura. A trama vai ser adaptada para filme ano que vem, e aqui você descobre o que achei desta história (quase) inusitada.


SIMON VS. A AGENDA HOMO SAPIENS
Becky Albertalli
272 páginas
Editora Intrínseca

Poderia ser uma típica comédia romântica se não fosse o fato do protagonista, o Simon do título, ser gay. O personagem já sabe que gosta de rapazes e está tentando sair fora do armário para o mundo. Não é a premissa mais original de todos os tempos, mas como foi um livro best-seller, e como raramente vemos temas assim fazendo sucesso com o grande público, resolvi dar uma chance! Outro motivo para ler foi que Greg Berlanti (o produtor-executivo das seríes de super-herói da CW) vai dirigir o filme! E como sou fã do trabalho de Berlanti tinha que conferir quais surpresas o livro reservavam.

O livro não é um drama completo, nem mesmo uma comédia exorbitante, na verdade fica transitando entre os dois estilos para nos contar uma história sobre um menino comum, mas com uma trama bem real. Simon é um adolescente que secretamente se corresponde por e-mail com 'Blue', um garoto que ele conhece na internet, e que vive o mesmo drama que ele: ser gay não assumido. Ambos os garotos estudam na mesma escola, mas escondem suas identidades com outros nomes, e nunca tiveram coragem de se revelarem na vida real. Até o momento que Martin, um garoto da escola, descobre as trocas de mensagens de Simon, e resolve chantagear o colega para se aproximar de Abby, uma garota amiga de Simon. Sim, a premissa parece clichê, mas não é tão previsível assim.

Martin não é o típico valentão, na verdade parece mais o nerd meio atrapalhado que quer ser o engraçado da turma. O grupo de amigos de Simon é formado por Abby, Leah e Nick, e possuem os típicos problemas de brigas internas entre amigos: ciúme, rivalidade, sentimento de ser excluído. Sem contar os amigos dos amigos, que são aquelas típicas pessoas que você vê o tempo todo na rodinha, mas nunca conversa direito com eles. Neste caso incluem os amigos do time de futebol do Nick, como Garret e Bram. A família de Simon parece ser bem aceitável com diversidade, mas ainda não deixa de ter problemas. O pai é o típico cara que quer ser engraçadinho e no fim das contas só é mala, enquanto a mãe é uma psicóloga esquisita e obcecada com os filhos. Nora é a irmã mais nova e Alice a mais velha (que não mora mais com eles), e são as mais normais.

Veremos pela ótica de Simon as alegrias, tristeza e frustrações da adolescência, e o interessante é a história ser muito verdadeira, sem ter um pano de fundo exagerado. A troca de e-mails entre Simon e Blue acabam se tornando um desabafo sobre os cotidianos dos dois, se transformando em uma espécie de diário, até que em algum momento os dois acabam flertando um com outro e a vontade de se conhecerem na vida real se torna maior. Essa fixação fica tão gigante que Simon tenta descobrir quem é Blue, e imagina que seja Cal Price, um garoto que é seu colega durante os ensaios de teatro, e por quem ele tem um crush.

Não é surpresa para ninguém que Simon vai se assumir no fim das contas, e neste ponto a autora não tentou transformar tudo em um drama gigantesco, mas vai mostrar sim que o bullying existe e o quanto é um problema, e como algo que devia ser tratado com naturalidade se transforma em um evento descomedido. Existem alguns diálogos que Simon faz que são sacadas geniais e que vão gerar algumas risadas, é um livro ótimo para quando se está de mau-humor! Em geral o livro é leve e de certa forma encantador, de um jeito que é até capaz de fazer você explodir de fofura! Em algum momento refleti que parecia Disney (inclusive eles chegam a mencionar isso no livro!), mas me dei conta que precisamos deste tipo de história, já que o normal neste caso é termos em sua maioria tramas tristes ou com final trágico.

Mas agora precisamos falar sobre os pontos negativos, sim, eles existem! Até entendo o público para qual o livro é voltado, e por isso a escrita é bem acessível, mas ficou simples demais, em algumas partes ela poderia ter elaborado mais a escrita para descrever as cenas. Outro problema é que em alguns momentos considerei o Simon excessivamente ingênuo, eu até entenderia se fosse um garoto de 13 anos ou mais jovem, mas estamos falando de um garoto de 17 anos, quase um adulto! Mas falarei mais sobre isso abaixo, na parte dos spoilers!

Se você ficou interessado pelo que contei no post, é um livro que recomendo fortemente. Deixe de lado seu preconceito contra livros YAs (ou com protagonistas gays) e dê uma chance! Foi uma das boas surpresas do ano e conseguiu me deixar animado para o filme, que estreia em 2018 e você pode conferir o trailer aqui. Espero que Greg Berlanti acerte e seja um sucesso!

SPOILERS! Só continue lendo se tiver lido o livro. Quem tiver curiosidade para saber minha opinião sobre em mais detalhes continue lendo abaixo, quem não leu volte só depois de ler e venha aqui conversar comigo!

O pior capítulo ao meu ver é o 28, em que a ingenuidade de Simon é levada ao extremo. Ele vai junto com amigos a um restaurante/bar gay, onde conversa com um cara que nunca conheceu antes e ainda é levado para uma roda de pessoas que nunca viu na vida. Acaba se embebedando, falando muitas besteiras e ainda por cima quando chega em casa temos a cena mais vergonha alheia do livro com os pais lhe dando um sermão. A cena com os pais era para ser dramática, mas ficou apenas piegas, o que me leva a crer que a autora não tem nenhum talento para escrever drama e foi bom não ter enveredado a história para esse lado. Para piorar tudo a escrita da Becky não ajuda, os acontecimentos são simplesmente jogados para o leitor, e tudo é contado de forma rápida demais. Capítulo completamente desnecessário e que não acrescentou nada.

Outro ponto que me incomodou é a escritora ter demorada tanto para revelar quem era o Blue. Só descobrimos quem é o garoto lá perto do fim do livro, e ainda porque o próprio Blue resolveu se identificar, o que me faz perceber o quanto Simon é incauto. (E acertei quem era o Blue bem antes, só eu que achei óbvio?) Mas gostei pra valer de Blue ser o Bram, e a cena que em que ele se revela para Simon é a melhor do livro, gostei bastante do diálogo entre os dois. É interessante o Blue ser um personagem negro, pois são poucas às vezes que vemos relacionamentos inter-raciais em romances. O ponto de triste é pela revelação ter sido tão tardia, nós acompanhamos pouco o namoro dos dois! Poxa, Becky! Porém queria saber mais como foi a revelação de Bram ser gay no grupo de atletas e como foi a reação deles ao descobrir que namorava outro homem, pois sabemos que existe preconceito grande envolvido na área dos esportes.

Alguns pontos ficaram em aberto e sinto que alguns personagens não tiveram final. Em diversos momentos foi falado sobre o irmão gay de Martin, mas em nenhum momento ele apareceu. O próprio Martin no final escreve um e-mail se desculpando por tudo que fez ao Simon, e ele nem ao menos responde, nem tem uma conversa final com o personagem! Outro momento de esquecimento de Becky foi com relação ao personagem Cal Price, o crush de Simon em que ele fica fantasiando a maior parte do tempo que seja Blue. No meio do livro Cal se revela bissexual e parece estar interessado por Simon, e quando Simon e Blue finalmente namoram Cal simplesmente desaparece da história! Eu queria ver ele demonstrando uma reação com relação ao namoro de Simon e Bram.

Enfim, todos esses pontos foram oportunidades perdidas da autora e que me decepcionaram um pouco. Fico com a sensação que o livro pode ter uma continuação. E aí, vocês gostariam de ver esses personagens voltando em um novo livro? Comentem abaixo e não deixem de visitar a página que a Intrínseca fez especialmente para a obra!

Sobre a autora!



Becky Albertalli é psicóloga, o que lhe proporcionou a oportunidade o privilégio de trabalhar com muitos adolescentes inteligentes, estranhos e irresistíveis, e por sete anos foi orientadora de um grupo de apoio em Washington para crianças com não conformidade de gênero. Mora em Atlanta com o marido e os dois filhos. Simon vs. é sua primeira obra.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

"História do Rio Grande do Sul", de Moacyr Flores

Vou admitir que pouco conheço da história do meu querido estado, e para quem não sabe eu nasci no Rio Grande do Sul, e para melhorar a situação fui em busca de livros que tratassem do assunto. Conforme fui pesquisando na web, descobri as obras de Moacyr Flores, que é um ensaísta e historiador gaúcho. O escritor já escreveu mais de 20 livros, sempre possuindo como foco a Revolução Farroupilha. Entretanto, encontrei em minha faculdade seu livro que conta de forma resumida a História do Rio Grande do Sul.


O livro, na verdade, é uma grande síntese que o autor preparava para suas aulas que lecionava como professor. Moacyr Flores possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1964) e doutorado em História pela mesma universidade (1993). Foi professor na PUC e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O livro é intrigante por ser extremamente direto, o que deixa a leitura ágil, mas ao mesmo tempo nos dá vontade de pesquisar mais detalhes para entendermos como tudo aconteceu no passado.

O professor conta a história do RS desde seus primórdios, falando sobre as tribos indígenas que existiam, fiquei particularmente fascinado com toda a mitologia das culturas. Depois vemos a chegada dos europeus, o sistema escravagista, as diversas imigrações, as revoluções, e até mesmo todas as batalhas enfrentadas, até chegar os dias atuais. Todos os eventos são fascinantes, e percebemos como temos uma história rica que, de certa forma, não é exatamente sobre heroísmos como conhecemos.

"Há duas correntes sobre a origem do gaúcho: uma histórica baseada em documentos e em crônicas de viajantes e outra mística criada pelos intelectuais através de contos e poesias românticas"

Foi interessante descobrir que o censo de 1814 indicava uma população formada de 36,41% de negros afro-descendentes, e que tiveram um momento histórico importante durante a Revolução Farroupilha: a Batalha dos Porongos, onde Lanceiros Negros foram traídos e massacrados. Uma parte tão chocante da história do Rio Grande do Sul que ficou esquecida, e toda a cultura dos afro-descendentes acabou suprimida até os dias contemporâneos. O que me fez questionar o feriado de 20 de Setembro, afinal, o que estamos comemorando, qual tradição gaúcha que estamos celebrando?

O autor destacou também a imigração da população de vários países europeus (em uma tentativa de "branquear" a população brasileira). Tivemos imigração e colonização alemã, italiana, polonesa, judaica e até mesmo japonesa, que deixaram sua marca e costumes na história do estado. Também vamos saber alguns episódios curiosos do passado do Rio Grande do Sul, como o dos muckers, um movimento messiânico que tinha como líder Jacobina Mentz Maurer, que apresentava-se como a reencarnação de Cristo.

"O Rio Grande do Sul é formado por um mosaico cultural, graças ao processo de imigração e de colonização, infelizmente a generalização do tradicionalismo, inclusive em áreas onde não existiu o gaúcho, está destruindo a riqueza de diversidade cultural"

Também é dedicado espaço no livro para falar sobre os dos partidos que surgiram, o Conservador e Liberal, além do golpe de Júlio de Castilho para se manter no poder e até mesmo o positivismo, uma forma de autoritarismo em que não se podia contestar o governo. Moacyr Flores vai dedicar um espaço pequeno, e eu diria pequenos demais, para falar sobre as instituições culturais. Quando terminei de ler o livro surgiu uma grande vontade de seguir viagem pelo estado e buscar todos os documentos que ele menciona, conferir de perto e perceber o quanto a História do Rio Grande do Sul foi extremamente emblemática.

Não sei se esse livro é fácil de ser encontrado, mas vale a pena procurar e descobrir mais sobre essa parte da História do Brasil.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Série "American Horror Story: Asylum"

É a continuação triunfal da série que fez ressurgir o terror na televisão. Como estamos falando de uma antologia, a história dessa temporada não possui ligação com a anterior, apenas o mesmo elenco volta, mas para viver outros personagens. O tom dessa vez é mais sombrio e perturbador, abordando a vida dos moradores do hospício Briarcliff. É a temporada mais assustadora, e considerada por muitos como a melhor.


Começo dizendo que Asylum tem o meu elenco preferido de todos: Jessica Lange, Zachary Quinto, Sarah Paulson, James Cromwell, Evan Peters, Lily Rabe e vários outros. O elenco inteiro está perfeito e você não vê uma atuação medíocre. A trama dessa vez ocorre no passado, em 1964, e mostra o dia-a-dia do hospício Briarcliff, um lugar cheio de pacientes com problemas mentais, cuidados por freiras sádicas e por doutores com condutas bem duvidáveis. O ambiente lembra muito uma prisão, em que seus moradores vivem constantemente com medo, e sem nenhuma perspectiva de escaparem. Entramos dentro do drama de cada personagem, e por mais absurdo que possa parecer cada um deles, ainda somos convencidos de seus enredos.


Na minha ordem de favoritos Asylum ocupa o segundo lugar, quase empatando com Murder House em primeiro. O que me desagrada um pouco em Asylum é a série misturar muitas temáticas em sua história: insanidade, serial killer, cientista do mal, possessão demoníaca, mutantes, nazismo... até mesmo alienígenas aparecem! Enfim, essa temporada atirou para todos os lados, a parte boa é que acertou todos os alvos. Mas sem dúvidas o tema principal é a loucura, que reflete em tópicos como fé, religião e ciência. Existe muita crítica social, e é o ponto alto da série no quesito terror psicológico. Ficamos nos perguntando ao longo dos episódios quem é louco de verdade ou não, em quem devemos realmente acreditar... 


Outra coisa interessante na mitologia da série é que geralmente vemos a história transitar em vários períodos de tempo. Como dessa vez a trama principal se passa no passado, acompanharemos cenas de eventos que vão ocorrer muito tempo depois já no presente. E é dessa forma que conhecemos o principal monstro, Bloody Face, que assassina suas vidas de forma bem violenta. Esse personagem também servirá para conectar o enrodo do presente com o enredo do passado. Os personagens são muito bem construídos, e gosto muito do final de todos eles, mesmo que alguns fãs considerem certos pontos bem controversos. Espero ter deixado todos curiosos para assistirem!