sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

"História do Rio Grande do Sul", de Moacyr Flores

Vou admitir que pouco conheço da história do meu querido estado, e para quem não sabe eu nasci no Rio Grande do Sul, e para melhorar a situação fui em busca de livros que tratassem do assunto. Conforme fui pesquisando na web, descobri as obras de Moacyr Flores, que é um ensaísta e historiador gaúcho. O escritor já escreveu mais de 20 livros, sempre possuindo como foco a Revolução Farroupilha. Entretanto, encontrei em minha faculdade seu livro que conta de forma resumida a História do Rio Grande do Sul.


O livro, na verdade, é uma grande síntese que o autor preparava para suas aulas que lecionava como professor. Moacyr Flores possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1964) e doutorado em História pela mesma universidade (1993). Foi professor na PUC e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O livro é intrigante por ser extremamente direto, o que deixa a leitura ágil, mas ao mesmo tempo nos dá vontade de pesquisar mais detalhes para entendermos como tudo aconteceu no passado.

O professor conta a história do RS desde seus primórdios, falando sobre as tribos indígenas que existiam, fiquei particularmente fascinado com toda a mitologia das culturas. Depois vemos a chegada dos europeus, o sistema escravagista, as diversas imigrações, as revoluções, e até mesmo todas as batalhas enfrentadas, até chegar os dias atuais. Todos os eventos são fascinantes, e percebemos como temos uma história rica que, de certa forma, não é exatamente sobre heroísmos como conhecemos.

"Há duas correntes sobre a origem do gaúcho: uma histórica baseada em documentos e em crônicas de viajantes e outra mística criada pelos intelectuais através de contos e poesias românticas"

Foi interessante descobrir que o censo de 1814 indicava uma população formada de 36,41% de negros afro-descendentes, e que tiveram um momento histórico importante durante a Revolução Farroupilha: a Batalha dos Porongos, onde Lanceiros Negros foram traídos e massacrados. Uma parte tão chocante da história do Rio Grande do Sul que ficou esquecida, e toda a cultura dos afro-descendentes acabou suprimida até os dias contemporâneos. O que me fez questionar o feriado de 20 de Setembro, afinal, o que estamos comemorando, qual tradição gaúcha que estamos celebrando?

O autor destacou também a imigração da população de vários países europeus (em uma tentativa de "branquear" a população brasileira). Tivemos imigração e colonização alemã, italiana, polonesa, judaica e até mesmo japonesa, que deixaram sua marca e costumes na história do estado. Também vamos saber alguns episódios curiosos do passado do Rio Grande do Sul, como o dos muckers, um movimento messiânico que tinha como líder Jacobina Mentz Maurer, que apresentava-se como a reencarnação de Cristo.

"O Rio Grande do Sul é formado por um mosaico cultural, graças ao processo de imigração e de colonização, infelizmente a generalização do tradicionalismo, inclusive em áreas onde não existiu o gaúcho, está destruindo a riqueza de diversidade cultural"

Também é dedicado espaço no livro para falar sobre os dos partidos que surgiram, o Conservador e Liberal, além do golpe de Júlio de Castilho para se manter no poder e até mesmo o positivismo, uma forma de autoritarismo em que não se podia contestar o governo. Moacyr Flores vai dedicar um espaço pequeno, e eu diria pequenos demais, para falar sobre as instituições culturais. Quando terminei de ler o livro surgiu uma grande vontade de seguir viagem pelo estado e buscar todos os documentos que ele menciona, conferir de perto e perceber o quanto a História do Rio Grande do Sul foi extremamente emblemática.

Não sei se esse livro é fácil de ser encontrado, mas vale a pena procurar e descobrir mais sobre essa parte da História do Brasil.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Série "American Horror Story: Asylum"

É a continuação triunfal da série que fez ressurgir o terror na televisão. Como estamos falando de uma antologia, a história dessa temporada não possui ligação com a anterior, apenas o mesmo elenco volta, mas para viver outros personagens. O tom dessa vez é mais sombrio e perturbador, abordando a vida dos moradores do hospício Briarcliff. É a temporada mais assustadora, e considerada por muitos como a melhor.


Começo dizendo que Asylum tem o meu elenco preferido de todos: Jessica Lange, Zachary Quinto, Sarah Paulson, James Cromwell, Evan Peters, Lily Rabe e vários outros. O elenco inteiro está perfeito e você não vê uma atuação medíocre. A trama dessa vez ocorre no passado, em 1964, e mostra o dia-a-dia do hospício Briarcliff, um lugar cheio de pacientes com problemas mentais, cuidados por freiras sádicas e por doutores com condutas bem duvidáveis. O ambiente lembra muito uma prisão, em que seus moradores vivem constantemente com medo, e sem nenhuma perspectiva de escaparem. Entramos dentro do drama de cada personagem, e por mais absurdo que possa parecer cada um deles, ainda somos convencidos de seus enredos.


Na minha ordem de favoritos Asylum ocupa o segundo lugar, quase empatando com Murder House em primeiro. O que me desagrada um pouco em Asylum é a série misturar muitas temáticas em sua história: insanidade, serial killer, cientista do mal, possessão demoníaca, mutantes, nazismo... até mesmo alienígenas aparecem! Enfim, essa temporada atirou para todos os lados, a parte boa é que acertou todos os alvos. Mas sem dúvidas o tema principal é a loucura, que reflete em tópicos como fé, religião e ciência. Existe muita crítica social, e é o ponto alto da série no quesito terror psicológico. Ficamos nos perguntando ao longo dos episódios quem é louco de verdade ou não, em quem devemos realmente acreditar... 


Outra coisa interessante na mitologia da série é que geralmente vemos a história transitar em vários períodos de tempo. Como dessa vez a trama principal se passa no passado, acompanharemos cenas de eventos que vão ocorrer muito tempo depois já no presente. E é dessa forma que conhecemos o principal monstro, Bloody Face, que assassina suas vidas de forma bem violenta. Esse personagem também servirá para conectar o enrodo do presente com o enredo do passado. Os personagens são muito bem construídos, e gosto muito do final de todos eles, mesmo que alguns fãs considerem certos pontos bem controversos. Espero ter deixado todos curiosos para assistirem!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Animação "Castlevania" da Netflix, 1ª temporada

Não sei a razão de ter demorado tanto para ver essa animação, já que sou um grande fan dos video-games de Castlevania. Mas finalmente terminei de ver os quatro episódios dessa adaptação maravilhosa, e fiquei com gostinho de quero mais, urgentemente! Lançado na plataforma Netflix, que foi produzida por um monte de estúdios incríveis (inclusive a Frederator, responsável por Hora de Aventura). A animação vai adaptar o terceiro game da franquia, que é Castlevania: Dracula's Curse, um dos jogos mais populares e conhecidos da série.


A série começa em Wallachia, 1455, antes mesmo dos eventos do terceiro jogo. Ficamos conhecendo Lisa, uma jovem mulher que vai até o castelo de Vlad Drácula Tepes em busca de conhecimentos curandeiros para uma população com poucos recursos medicinais. Impressionado com a singularidade da moça, Vlad concorda em deixá-la estudar em seu laboratório e vasta biblioteca. Vale lembrar aqui que Drácula já é uma vampiro, já tem todos os seus poderes, mas ele aparenta ser só uma lenda... um homem muito misterioso e recluso, supostamente com poderes ocultos, que comete algumas maldades de vez em quando (coisas simples, como espetar uma vítima em uma estaca e deixar o corpo apodrecendo), mas ainda sem ter intenção de destruir toda a humanidade.

É bom também você lembrar das suas aulas de História, pois apesar de Castlevania ter um pano de fundo ficcional, cheio de momentos sobrenaturais, a série também possui um contexto histórico real. E essa parte é baseada fortemente na Idade Média, época da História onde a Igreja Católica dominava tudo, controlava a mente das pessoas por meio de seus dogmas, e cometia vários atos extremamente cruéis com qualquer pessoa que eles considerassem hereges. Vi muitos reclamando que a animação não se preocupa em explicar sobre a Igreja Católica, mas não julguei necessário, já que a animação é direcionada para o público adulto, e espero sinceramente que todos já conheçam esse contexto histórico importantíssimo.


A animação é cheia de sangue, tripas e cabeças decapitadas rolando! Alguns espetadores mais sensíveis podem se sentir incomodados com algumas cenas mais gráficas, como quando é mostrado rapidamente uma criança decepada, definitivamente ninguém é poupado! Além de que existem criaturas demoníacas com visuais bem perturbadores, então definitivamente não é desenho para você exibir para seu sobrinho, por exemplo. Mesmo a violência sendo muito explícita, em nenhum momento é gratuita. Inclusive esse primeiro arco da história a vilania não focará tanto no Drácula, e sim mais na Igreja Católica como inimigos, tentando controlar a população a qualquer custo sem medir as consequências.

Mas o principal personagem que vamos ver é Trevor Belmont, o herói da história que caça vampiros com um chicote poderoso, a vampire killer. O único problema com a série animada é que enrolaram um pouco demais para Trever perceber que deve ser o herói de verdade. O ritmo do segundo e terceiro episódios são lentos, e ao meu ver podiam ter sido um episódio único. Também conhecemos um grupo de pessoas chamados Speakers, que são inéditos na trama, não existindo nos games. Esse grupo terá importância em convencer Trevor a voltar a ser um caça-vampiros, além de que será de suma importância para conhecermos Sypha, uma moça poderosa com capacidade de controlar elementos, e que irá acompanhá-lo em sua luta contra Drácula. Os dois juntos irão esbarrar em um terceiro personagem, que quem conhece os games já deve saber quem é, e se trata nada menos que Alucard! Não vou explicar muito, mas a cena do encontro dos três é épica!

Sypha, Trevor e Alucard
Posso concluir dizendo que essa animação tem tudo para ser uma das melhores adaptações de games já feitas! O primeiro episódio simplesmente apresentou de forma espetacular uma parte da história do Drácula. O segundo e terceiro episódios foram mais devagar, porém possuem sua importância. Já o quarto episódio volta ao ritmo de ação, com mais coisas acontecendo, e encerrando a primeira temporada com um gostinho de quero mais! A parte técnica também não deixa a desejar, e particularmente gostei do visual adotado nos personagens, que é mais elegante, combinando com os trabalhos criados pela Ayami Kojima para a franquia de jogos. A série volta em 2018, e com certeza vou continuar assistindo, pois está muito bom!

sábado, 23 de setembro de 2017

Filme "Gaga: Five Foot Two"

Até faria uma mini biografia sobre a cantora antes de começar o post, mas acho que todo mundo já tem noção de como é a carreira da diva pop, não é mesmo? A artista que começou com a música Just Dance em 2008, explodiu em sucesso e se tornou um ícone dentro da cultura pop. Apesar dos altos e baixos, Lady Gaga se apresentou no Super Bowl desse ano, fazendo o HalfTime Show da partida. Pensando nisso, Netflix preparou um documentário mostrando a gravação de seu novo álbum, até o momento de sua apresentação no Super Bowl.


É a primeira vez que falo realmente sobre música aqui no blog, e quando pensamos em Lady Gaga, pensamos automaticamente em excentricidades. Porém o filme quebra essa imagem no sentido que, a nova postura da carreira da artista é ser clean, despida de exageros. Já era algo que ela vinha mudando aos poucos, desde seu álbum de jazz com Tony Bennett, e algo que ganhou força com Joanne. A artista fala sobre sua tia falecida muito jovem, que sofria de lúpus, e que inspirou todo o conceito de seu recente álbum.

"Ela tinha algumas lesões, algo crescendo nas mãos. Os médicos em 1970 não conheciam lúpus. Não sabiam como tratar. Não é curável, nem mesmo agora. Então eles sugeriram que amputassem as mãos dela. Ver como isso afetou meu pai e minha família foi o mais difícil que vivenciei enquanto crescia"


Mesmo em seus momentos mais emocionais, Gaga ainda está afiada nas declarações. Quando vai rever a vó e encontra algumas fotos antigas suas de 15 anos, ela lembra sobre o espaço entre os dentes que arrumou com aparelhos. "Se tivesse ainda dentes assim, teria mais atritos com Madonna". Além dos comentários sobre algumas celebridades, é mostrado um pouco dos bastidores de produção do álbum, com ela usando um boné de Pokémon e dançando (além de uma rápida participação da cantora Florence). Na pausa do trabalho, ela faz críticas sobre o machismo na indústria da música, sabemos muito bem isso pelo recente caso da Kesha.

"Quando produtores, diferente do Mark (produtor de Joanne), começam a agir tipo, ‘você não seria nada sem mim’. Para mulheres, especificamente. Esses homens têm tanto poder, eles podem ter as mulheres de um jeito que nenhum outro homem pode"

São mostrados algumas ocasiões aleatórias do cotidiano da artista. Vemos cenas de GaGa interagindo com sua família em um batismo, com um sentimento de união tipico de famílias de descendentes de italianos. Em outro momento, vemos ela reagindo a ligação de uma amiga próxima que está com câncer, que aparece mais tarde pouco antes do show do Super Bowl, e é impossível não ficar emocionado junto, principalmente quando sabemos que essa amiga morreu. Uma parte que considerei chata foi mostrar a gravação do videoclipe da música Perfect Illusion, pois particularmente não gosto e achei uma péssima escolha de lead single. A aparição da cantora no Wall-Mart pouco acrescenta também, mas ao menos é divertido ver Gaga tirando seus CDs de trás das prateleiras e colocar na frente, toda atrapalhada. Outro momento divertido é logo no começo do documentário, quando vemos sua reação ao bater seu carro na traseira do carro de Mark, e deixar um amassado lá.


Quando fala de seus antigos amores, percebemos que ela já superou tantas vezes a mesma coisa que já não sofre como antes quando termina um relacionamento. Principalmente sobre Taylor Kinney, seu ex-noivo, exibindo um respeito mútuo por ele. Mas de alguma forma ela ainda se sente ressentida de estar sozinha, a solidão parece ser uma coisa que acompanha muito ela e a afeta bastante de certa forma. Já durante as gravações de American Horror Story: Roanoke, descobrimos o traço perfeccionista da artista. Ela fica irritada com um membro da produção, que esqueceu de lhe dar informações sobre a cena, mas mantém a atitude ponderada. Durante o Super Bowl notamos mais sua atitude controladora, mostrando ser bem exigente com quem trabalha e muito presente em cada mínimo detalhe. 

"Se eu tocar a nota errada no teclado, na frente de milhões de pessoas, a culpa é minha. Não importa se outro errou. É o meu nome"

O ponto em que GaGa aparece mais vulnerável é quando está deitada sentindo dores pelo corpo, ou quando está em consultas. A doença que fez a cantora cancelar seu show no Rock in Rio e adiar a turnê pela Europa para 2018 se chama Fibromialgia, e lhe causa muitas dores em vários locais do corpo, causando-lhe aflição e sofrimento. Ela até mesmo reflete como pessoas sem condições financeiras conseguirão pagar um tratamento caro como esse (lembrando que no USA os tratamentos de saúde não são gratuitos). A parte final do documentário é focada no cotidiano pré-Super Bowl, mostrando ensaios de dança, Gaga sendo perfeccionista como comentei antes, se divertindo muito realizando um sonho, e como ela mesmo diz, fazendo uma grande celebração da própria carreira. É um documentário que pode ter sido muito simulado? Sim, mas ainda achei várias colocações da Gaga sobre diversos assuntos extremamente relevantes. Vale a pena assistir por isso!


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Série "American Horror Story: Murder House"

A série é uma antologia criada por Ryan Murphy e Brad Falchuk, e foi responsável por trazer o terror de volta a televisão. Como a série é uma antologia, cada temporada não possui ligação uma com a outra (apesar de que todas aparentam se passar no mesmo mundo), sendo assim os roteiristas podem brincar bastante com os conceitos de terror. A temática do primeiro ano é a "casa dos assassinatos" e é a minha preferida.


A temática é bem simples: uma família problemática acaba de se mudar para uma nova casa, uma mansão luxuosa muito abaixo do preço usual, em uma tentativa de reconciliação. O fato que eles desconhecem, na verdade, é que ocorreram vários assassinatos na moradia, levando a residência a ser referida como mal-assombrada. A partir disso vamos conhecer, além da família, os vizinhos enxeridos, a empregada misteriosa, o homem deformado que ronda a casa, além das estranhas criaturas que vivem no porão e sótão... não posso esquecer de mencionar também o Rubber Man, que é a personificação do mal em uma roupa BDSM de látex negro.


O que eu gosto em Murder House é que ela possui um tema, fantasmas, e segue com ele até o final (diferente de Asylum, que se perde no meio de tantas temáticas). Essa temporada tem uma pegada muito forte de filmes como O Bebê de Rosemary, O Iluminado, Sexto Sentido e Os Outros, além de várias outras coisas. E por incrível que pareça, essa mistura de referências funciona, e faz com que a série seja bem dinâmica. Vale lembrar que os fantasmas mencionados não se parecem em nada com aqueles de lençol branco que pulam na sua cara gritando. Os fantasmas de Murder House são bem reais, e perigosos, cada um agindo conforme seus interesses. No começo somos instigados a tentar descobrir quem está vivo ou quem é uma simples aparição, e logo em seguida nos é revelado a vida desses antigos moradores.


Existe muito que ser comentado sobre os dramas de cada personagem, mas falar sobre isso é entregar um monte de spoilers. O que posso dizer é que, mesmo tendo como foco assassinatos e fantasmas, outro tema principal é a depressão. O elenco todo é maravilhoso, e se encaixam como uma luva nos personagens (inclusive isso é algo que não podemos reclamar de nenhuma temporada). Mesmo o roteiro possuindo algumas esquisitices, essa temporada ainda é concisa, passando longe dos exageros que viriam a ser feitos nos anos seguintes. Tem um desenrolar convincente, um final muito bom, e ainda conseguirá surpreender o espectador mais desavisado. Sendo assim, recomendo a todos assistirem, e é uma ótimo começo para essa série tão popular. Em breve falarei sobre as outras temporadas!