sexta-feira, 13 de abril de 2018

Filme "Com Amor, Simon", dirigido por Greg Berlanti

Eu estava ansioso demais por esse filme, e assim que estreou nos cinemas aqui da cidade eu fui correndo assistir. E já digo logo de cara: eu adorei! Ouso até falar que seja melhor que o livro, que também é excelente! Eu sabia que com Greg Berlanti envolvido na adaptação não poderia sair coisa ruim, conseguindo superar e muito minhas expectativas.


Baseado no livro Simon vs a Agenda Homo Sapiens, a história é sobre Simon, um adolescente gay que não é não assumido, mas que leva uma vida normal, convivendo com seus amigos na escola, existindo sempre uma certa tensão para que ninguém descubra seu segredo. Simon se corresponde com Blue, um amigo virtual anônimo que também é gay e ele não sabe quem é, apenas tem conhecimento que estudam na mesma escola. Mas um dia, acessando o e-mail em um computador da biblioteca, ele acaba deixando sua conta logada, e em seguida Martin, um coleginha mala do grupo de teatro onde participa, descobre esses e-mails e resolve fazer chantagem. Martin quer que Simon o aproxime de Abby, uma garota por quem está apaixonado e que é amiga do nosso protagonista.

Como já disse no post do livro, a trama parece mais uma típica história adolescente, mas a forma como tudo é construído transforma a premissa básica em uma das coisas mais divertidas e reais que eu já vi! O filme equilibra cenas engraçadas e de descontração com cenas mais reflexivas e dramáticas. Isso nos passa a sensação que tudo que foi mostrado poderia acontecer de verdade, o que na minha opinião pode ajudar vários jovens e pais que assistam a obra, o que é um ponto mais que positivo! Existe um cuidado e sensibilidade na hora de contar a história, ao mesmo tempo evitando deixá-la chata, coisa que poderia afastar o público-alvo que vai conferir. E como o filme é um feel good movie, ele termina te deixando pra cima e com uma sensação feliz!

Nick Robinson, que vive o protagonista, e o diretor Greg Berlanti
Falando um pouco mais da história comparando com o livro, eventos do enredo mudaram na adaptação, porém percebemos que a essência continua ali. As partes em que Simon tenta ajudar Martin são mais evidentes e possuem consequências bem maiores (algumas engraçadas, outras dramáticas). No livro Simon focou a tentativa de descobrir a identidade do Blue em um único personagem, o Cal, enquanto no filme ele desconfia de vários caras que ele vai conhecendo. Detalhe que isso reduziu a aparição de Cal na tela, e aumentou a participação de Bram, o que considerei uma mudança interessante, pois resolveu (um pouco) os problemas que comentei no livro. Bram passou por uma reformulação na personalidade, agora ele é mais extrovertido e animado, e nem tão tímido, isso ajudou para deixar a narrativa mais eficiente. Um acréscimo foi o personagem Ethan, que é um estudante gay assumido na escola onde Simon estuda, e que tem as melhores respostas quando alguém tenta fazer piada com ele. E vou parar por aqui, se contar mais entregarei as surpresas!

Todos os atores do elenco estão atuando muito bem, não tenho nada do que reclamar nessa parte, talvez seja o melhor elenco de atores que já vi em um filme adolescente recente! Nick Robinson convence como um homossexual abatido que tenta levar uma vida normal, com certeza é a primeira grande atuação do ator que vi até agora. Outra atuação que se destaca é da atriz Alexandra Shipp como Abby, essa menina tem um futuro promissor, e de Logan Miller, que ficou perfeito como o estranho e constrangedor Martin. Alguns rostos conhecidos que aparecem são Katherine Langford e Miles Heizer, que atuaram em 13 Reasons Why, e que pode fazer a alegria de quem acompanhou a série. Do grupo de atores adultos, tanto Tony Hale quanto Natasha Rothwell roubam as cenas vivendo membros da escola onde tudo acontece; já Jennifer Garner e Josh Duhamel interpretam seus papéis de pais com muita veracidade.

A trupe dos amigos de Simon reunida na escola
Já a parte técnica está linda, a paleta de cores está perfeita, a fotografia idem, inclusive tem momentos que dá vontade de pegar o frame da cena e transformar em um pôster para colar na parede do meu quarto. O diretor Greg Berlanti buscou ângulos e movimentos da câmera que reforçassem tudo que os personagens estavam passando, ao mesmo tempo que deixa a trama mais dinâmica. Berlanti é gay na vida real, e isso contribuiu para conseguimos ter um filme que expressasse tão bem a homossexualidade. A trilha sonora é viciante, e mistura tanto músicas jovens atuais, quanto alguns sucessos de artistas do passado. Como vocês puderam notar, não notei um grande defeito, talvez eu faria diferente uma ou outra coisa, mas ainda assim não teve nada realmente preocupante que me incomodasse.

Eu gostei tanto que queria rever novamente no cinema! Não é o típico filme gay com final triste, finalmente temos uma história que possua um final feliz e que possa ser exemplo para essa geração nova que está assistindo. E vale dizer não é apenas voltado para gays ou adolescentes, TODO MUNDO pode ver e se divertir! Os fãs do livros não vão se arrepender, e quem não leu o livro, por favor, faça isso, pois a história original também é excelente! E o meu desejo final é que, cada vez mais tenhamos diversidade no cinema, pois o público só tem a ganhar com isso.

domingo, 4 de março de 2018

"O Hobbit", J. R. R. Tolkien

Levei mais tempo que o necessário mas finalmente terminei de ler O Hobbit. Tem muita ação, aventura e fantasia neste grande conto para meninos (sim, não há uma personagem feminina na história). Sempre quis entender esse fenômeno da literatura, então finalmente chegou a hora de conhecer a saga. Posso dizer categoricamente que gostei da obra, e fiquei com vontade de ler a trilogia O Senhor dos Anéis!

O HOBBIT
J. R. R. Tolkien
320 páginas
Editora Martin Fontes

Como toda boa história que quer situar o leitor em uma trama de aventura, o protagonista acaba por ser alguém normal, que não possui grandes poderes e nem ao menos conhecimento em combate. Isso faz com que o leitor se identifique e pense: "eu poderia sair em uma grande aventura caso quisesse". E é exatamente assim que começa o livro. Os hobbits são uma raça que vivem neste mundo criado por Tolkien e que levam uma vida pacata e sem pretensões de grandes emoções. É então que um dia surge o incrível e poderoso mago Gandalf fazer uma visita ao hobbit Bilbo Bolseiro, junto de treze anões, o convocando por uma jornada inesperada em busca de recuperar um grande tesouro que fica em uma montanha protegida por um poderoso dragão. No começo ele fica receoso, mas logo depois aceita, e não preciso dizer que esse acontecimento mudará sua vida.

No meio do trajeto eles encontrarão raças diferentes, como elfos e orcs, animais que falam, como aranhas e águias, além de personagens peculiares, como Gollum, que vive sempre sozinho em sua caverna escura; e Beorn, um homem que tem a capacidade de se transformar em um enorme urso (e é meu segundo personagem favorito, sendo o primeiro Gandalf e terceiro o dragão Smaug). O grupo de heróis (ou ladrões) enfrentam algumas batalhas, enquanto outros momentos precisam usar a esperteza para conseguir escapar. A história e narrativa nos cativam justamente por serem inusitadas, por maior que sejam a encrenca que os personagens se encontrem, eles sempre dão um jeito de sair por cima. E claro, não podemos deixar de mencionar também o quanto Bilbo é sortudo.


O livro possui vários temas: superação da ganância, que todos são capazes de grandes feitos, confiança e amizade que as pessoas devem ter para alcançarem seus objetivos etc... Infelizmente não gostei do pouco destaque que os anões tiveram, basicamente só Thorin, que é o líder deles, ganhou importância. E o terço final do livro não me agradou. Apesar de ter adorado o dragão Smaug (principalmente o fato dele falar e ter toda uma conversa com Bilbo), mas foi muito anti-clímax seu encontro com os anões e ainda mais sua morte na Cidade do Lago. E toda a batalha dos Cinco Exércitos me soou exagerada, épica demais para um livro que se propôs ser mais simples.

A escrita de Tolkien é agradável e envolvente, ele sabe colocar nos momentos certos cenas de ação, aventura, divertidas ou só esquisitas mesmo. Gostei muito das ilustrações, feitas pelo próprio autor, elas são lindas e dão um charme a obra. O canal Tolkien Talk possui um vídeo bem interessante sobre a visão do escritor sobre dragões, eu particularmente gostei bastante, confiram lá! Não terei espaço para ler O Senhor dos Anéis esse ano, mas assim que puder quero continuar essa saga!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

"Gente Pobre", de Fiódor Dostoiévski

Se muitas pessoas comentando sobre Gente Pobre este mês, saibam que é tudo culpa da Isa do canal Lido Lendo, que criou um projeto de ler Dostoiévski em ordem cronológica (clique aqui para saber mais). E apesar de já estar comprometido com outro o outro desafio literário meu, resolvi participar deste projeto da Isa também. Não quero me comprometer em segui-lo até o fim, mas se tudo der certo pretendo ler todos os livros propostos. Foi meu primeiro contato com literatura russa, e foi justamente com o primeiro livro de um grande autor.


Gente Pobre foi escrito em 1846, e como vocês devem imaginar pelo título, conta a história de pessoas muito humildes que viveram nessa época. Não sou a pessoa com o maior respaldo sobre esse momento da Rússia, então não vou focar muito nessa parte no que escreverei aqui. Não é a melhor estreia de um escritor que eu já li, mas com certeza eu gostei. Vamos ver a história pelo ponto de vista de dois personagens e as cartas que trocam entre si, mas não chega a ser completamente um romance epistolar. Inclusive, o livro não contém muitos detalhes da trama, o que cabe a nós leitores imaginarmos os pontos que não ficam muito esclarecidos.

O texto abaixo possui alguns spoilers do livro!

Os personagens principais são Makar, um homem de meia-idade que é funcionário público; e Bárbara, uma jovem costureira com um passado sofrido. Makar tem algum parentesco com Bárbara, que não ficamos exatamente sabendo qual é, e Bárbara é uma moça sozinha na vida e quase totalmente desamparada. O inesperado de tudo isso é que os dois são vizinhos, e na verdade se encontram pessoalmente poucas vezes durante o livro. Makar é um funcionário que está descontente com o local e cargo onde trabalha, e parece sofrer com um sério problema de complexo de inferioridade. E por isso até evita se encontrar com Bárbara, por pensar que os outros imaginam ele estar apaixonada pela moça. Dependendo de como você interpreta as cartas, realmente parece que Makar possui um interesse maior em Bárbara do que um simples amor familiar. Já Bárbara tem uma história de vida um pouco trágica. Perdeu o pai ainda muito cedo, quando era adolescente, e deixou ela e sua mãe sem eira nem beira, sendo acolhidos por uma irmã de seu pai, que era simplesmente uma mulher detestável.

Apesar de ser a típica história da menina sofrida, eu ainda considero essa parte do livro a melhor, e curiosamente é a única parte que não é contada por meio de cartas, sendo na verdade mais um flashback da personagem. É cativante ver como Bárbara descreve todos os detalhes da infância feliz que teve, como se sentia prisioneira na escola, e os sofrimentos que passou ainda quando o pai era vivo e metido em dívidas. Quando ela vai morar com sua tia é onde conhecemos Pokrovski, o personagem que mais simpatizamos no livro todo, um homem honrado, intelectual, que adora estudar, e que é colecionador de livros! É ao mesmo tempo tímido, extremamente organizado, desenxabido e não sabe lidar quando as pessoas zombam dele. É um personagem que facilmente podemos relacionar com alguém da vida real, e confesso que o único momento que fiquei triste lendo o livro foi quando ele morreu, ainda muito jovem. Pokrovski foi o único personagem que Bárbara se apaixonou de verdade. Um tempo depois a mãe veio a morrer também, logo a moça fugiu das garras dessa tia e acabou indo morar com Fédora, outra mulher que se torna sua colega e a trata muito melhor.

A primeira parte do livro é bem mais envolvente que a segunda, levando muitas questões sobre pobreza e miséria, porém da metade para o final o livro se torna uma grande repetição dessas lamentações. Chega um ponto que começamos a nos perguntar se Makar não é apenas um grande bocó e a Bárbara somente uma aproveitadora. Makar com aquela forma extremamente carinhosa de tratar Bárbara, beirando ao meloso, em alguns momentos chega a ser irritante e piegas. O que realmente nos faz pensar que ele sentia algo a mais por ela, apesar de nunca ter coragem de admitir. E Bárbara sempre aceita todos os presentes de Makar, reclamando que não lhe mande nada, no entanto sempre comenta sobre algum desejo ou necessidade sua. Me incomodou um pouco ela dizer que estava doentinha quando tinha que fazer algo, era uma saúde mesmo frágil ou uma desculpa? Claro que, isso pode ser muito mais um sinal de imaturidade da personagem do que realmente de oportunismo, mas o final onde ela termina se casando com o Sr. Buikov, um homem rico na história, não colabora com a visão que acabamos tendo da personagem. Makar se revolta frente a sua situação de gente pobre, mas mantém sua dignidade. Já Bárbara cede aos apelos da sobrevivência, algo que fica claro desde o início.

Enfim, é um livro com vários temas que valem a pena serem debatidos, a escrita de Dostoiévski é envolvente, e fiquei curioso para ler outras de suas obras! Espero conseguir dar conta de ler todas as obras proposta desse ano e conciliar com meu próprio desafio literário.

sábado, 27 de janeiro de 2018

TAG Você prefere...


Começando o ano respondendo uma tag (inclusive faz tempo que não fazia nenhuma), para tirar o pó aqui do blog. Tirei umas férias bem longas de leituras e agora estou retornando aos poucos. Mas enfim, essa tag atual não é sobre dizer sugestões de livros que se encaixem em categorias, e sim responder perguntas sobre minhas preferências literárias.

Você prefere...

1. Ler apenas trilogias ou livros únicos?
Livros únicos. Faz muito tempo que não leio uma trilogia realmente interessante.

2. Ler apenas autores homens ou mulheres?
A maior parte dos autores que eu leio são homens, tenho certeza. Agora nunca cheguei a contar se a maioria dos livros que eu gosto mais sejam de homens ou mulheres. Porém, tenho quase certeza que em uma disputa assim venceria autores homens. Mas vale dizer que não leio apenas escritores homens, adoro vários livros escritos por mulheres também.

3. Comprar na livraria física ou online?
Online né pessoal, nem se compara os preços. Esperamos aquela promoção marota para comprarmos.

4. Todos os livros vivarem filmes ou séries de tv?
Filmes, pois nunca fui muito chegado a séries. Às vezes até começo alguma e estou gostando, mas no meio sempre acabo abandonando e não olho mais.

5. Ler 5 paginas por dia ou 5 livros por semana?
5 páginas por dia. Qualidade antes de quantidade, por favor. Mas, vou ressaltar que ultimamente ando tão preguiçoso que até 5 páginas por dia estão difíceis. 

6. Ser um critico de livros ou um autor?
Meu sonho é ser um autor, mas por enquanto sou apenas critico de livros.

7. Apenas ler o seus 20 livros favoritos para sempre ou somente ler livros novos que eu nunca li antes?
Somente ler livros novos que eu nunca li antes. Apesar de nossos livros favoritos voltarem a serem lidos em um momento ou outro, ler apenas eles para sempre é muita tempo, eu enjoaria fácil. E tem muita coisa nova e boa para descobrir ainda.

8. Ser um bibliotecário ou um vendedor de livros?
Bibliotecário, odeio tentar vender algo as pessoas.

9. Ler apenas o seu gênero favorito ou poder ler todos os gêneros exceto o seu favorito?
Eu não tenho um gênero favorito então ler todos exceto o meu favorito.

10. Ler apenas livros físicos ou e-books?
Ultimamente tenho pendido mais para os e-books, desde que comprei meu Kindle Paper White.

É isso, perguntinhas rápidas e simples, algumas respostas até meio óbvias, principalmente para leitores ávidos. Não deixem de conferir o vídeo original das meninas que criaram a tag. E continuem acompanhando o blog durante o ano, não abandonei isso daqui!

sábado, 30 de dezembro de 2017

Desafio Volta aos mundos em 6 livros


Último sábado de 2017, e venho aqui propor um desafio literário para 2018. Basicamente eu criei seis categorias e pretendo ler pelo menos UM livro que se encaixe nos temas escolhidos. E a ideia é literalmente fazer uma viagem por esses "mundos" e descobrir obras maravilhosas. É um desafio bem simples, e dentro da possibilidade de algo que eu consiga terminar.

Mundo distópico.
Mundo futurista.
Mundo pós-apocalíptico.
Mundo cyber punk.
Mundo de fantasia clássica.
O Hobbit, de J. R. R. Tolkien

Mundo de fantasia sombria.

Então é isso pessoal, boas festas, bom final de ano, comemorem muito e até 2018! Lembrem-se que este post será atualizado sempre que uma leitura for terminada!