quinta-feira, 27 de novembro de 2014

"1984" de George Orwell

1984 de George Orwell é uma das distopias mais famosas da literatura. Não foi a primeira distopia que eu li (a primeira foi Fahrenheit 451, que pretendo falar em breve também), mas foi uma das que terminei recentemente. A história narra um regime totalitário de um país que reprime de seus habitantes qualquer traço de personalidade, pensamento, e de humanidade em geral. Fica bem claro a diferença de classes dessa sociedade: os proletas, são a grande maioria, que vivem em condições sofríveis e  de extrema pobreza; a classe média, formada por algumas pessoas que trabalham em algum dos Ministérios; e os integrantes do partido, a classe superior, suprema, que toma controle de tudo com seu poder, privilegiados em vários detalhes.

George Orwell foi criativo em vários sentidos quando escreveu sua obra. Primeiramente, um dos aspectos que notamos é como toda essa lavagem cerebral é passada para os habitantes. É do livro que conhecemos o Grande Irmão (Big Brother, no original), um líder que sempre está de olho em tudo, em qualquer desvio que alguém possa cometer, e que deve ser adorado pela população. O interessante no Grande Irmão é ele na verdade ser uma figura inventada pelos manipuladores para desviar suas devidas ações. Há também vários slogans e cartazes espalhados pela cidade, além das teletelas, equipamentos que conseguem ver e ouvir tudo ao seu alcance, criando uma total falta de privacidade.

Para aumentar ainda mais a paranoia, vários termos foram criados para serem usados nas medidas mais descabíveis do partido, como o duplipensamento, palavra que serve para explicar um conceito segundo o qual é possível ao indivíduo conviver simultaneamente com duas crenças diametralmente opostas e aceitar ambas. Há também os 2 minutos de ódio, onde os cidadãos são obrigados a atacar qualquer um que seja contra qualquer ideologia do partido. Tudo isso é organizado pelos Ministérios, onde cada um possui uma função específica.

Ficamos sabendo disso tudo pela visão do Winston, integrante do Ministério da Verdade, o "herói" da história. As aspas servem pra evidenciar que ele possui poucas das características de herói, pois não é verdadeiramente um homem à prova de falhas, sendo que o mesmo admite ter medo do partido, e tenta reprimir qualquer tipo de pensamento que vá condená-lo. Entretanto, ele possui, lá no fundo de sua consciência, algo que lhe diz que tudo aquilo está errado. Aos poucos, acaba se desvencilhando dos costumes opressores, ouve falar da Confraria, um grupo que estaria lutando contra o partido, e acaba apaixonando-se por Julia, uma moça que também não está nem um pouco interessada em seguir as ideias que lhe são impostas.

O pano de fundo para todas essas ações do governo é a guerra, onde a Oceania (local da história), está em constante combate contra a Lestásia e Eurásia. Entretanto, conforme a leitura vai avançando, percebemos que o buraco é muito mais embaixo, e que os acontecimentos do livro são muito mais perturbadores. Sem dúvidas, uma obra que merece ser lido por todos, pois notamos que essa realidade manipuladora da ficção não está tão distante da nossa.

O Autor

George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair, foi um escritor e jornalista inglês. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-humorada, além de uma consciência profunda das injustiças sociais. A influência de Orwell na cultura contemporânea, tanto popular quanto política, perdura até os dias de hoje. Vários neologismos criados por ele, assim como o termo orwelliano - palavra usada para definir qualquer prática social autoritária ou totalitária - já fazem parte do vernáculo popular.

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