sábado, 21 de março de 2015

"Um Dia", de David Nicholls

UM DIA
David Nicholls
320 páginas
Editora intrínseca

Por onde começar a falar de Um Dia, de David Nicholls? Bem, gostaria de dizer inicialmente que este é o primeiro livro de comédia romântica que eu leio, pois nunca tive vontade de ler nada do genêro. Começando pelo capa do livro que já possui elementos que não me agradam: atores da adaptação em filme (sim, o livro virou filme em 2011). É algo que particularmente não gosto, mas confesso que a imagem é bonita, e Anne Hathaway é incrível, e o efeito que eles fizeram junto com o título ficou muito interessante. Fui ler a sinopse na contracapa, e me deparei com um monte de frases de jornais e outros autores elogiando o livro, novamente algo que não gosto, pois faz parecer a obra pretensiosa.

Entretanto, não tenho preconceito literário e resolvi dar uma chance... acabei me surpreendendo! A sinopse realmente parece clichê e mais do mesmo e provavelmente você já viu por aí, mas essa é só uma estrutura superficial para uma história que vai se desenvolver de uma maneira muito profunda e real. A história nos apresenta dois personagens, a primeira é Emma, uma garota inteligente, que adora ler, sonhadora, bonita (mas que ainda não descobriu isso) e que tem um grande humor; e Dexter, um cara charmoso, bonitão, rico e muito canastrão. Os dois passam a noite juntos antes da formatura, pensando principalmente no futuro e no que será de suas vidas depois dali, e é isso que a história nos conta, os anos da vida deles seguindo caminhos diferentes.

A melhor parte é a história da vida da Emma, que começa literalmente sofrendo muito, tendo que trabalhar bastante para conquistar seus objetivos, mas que sempre faz piadinhas com tudo e acaba tendo diálogos engraçadíssimos. O livro vai bem até seu terço final, onde a história despretensiosa começa a ficar pretensiosa demais. E o final dramático é desnecessário, visto que a história toda já tinha um tom de melancolia e tristeza desde o começo, mas ainda sim conseguia equilibrar muito bem com momentos divertidos.

Inclusive, sobre o final, achei uma tremenda covardia do autor, não darei spoilers, mas quem leu o livro sabe do que estou falando. A história toda é de Emma, sobre Emma, se não fosse por ela nunca chegaríamos a ler o livro até o final. E aquelas 30 e poucas páginas da Parte 5 pela visão do Dexter foram a coisa mais chata que li nos últimos anos, totalmente desnecessária. Estou pensando em dar uma chance para o filme e ver como ficou, talvez  até faça um postagem falando sobre.

Vocês estão se perguntando: vale ou não a pena ler o livro? Vale sim, a história vai longe e consegue criticar algumas coisas que estão inseridas na nossa sociedade, como o fato de que temos que ser sempre bem-sucedidos no que fazemos, e o quanto antes. Que devemos ter conquistas para, justamente, provar aos outros o quanto estamos bem. É notável como a sociedade nos envelhece, e como nos julga, e este é o ponto mais interessante do livro.

Sobre o autor

David Nicholls nasceu em 1966, formado em Literatura e teatro inglês, optou pela carreira de ator e já atuou em espetáculos teatrais. Já trabalhou como vendedor em uma rede de livrarias, e após trabalhos freelance, conseguiu emprego como leitor de peças, o que futuramente o levou à edição de roteiros. Escreveu a adaptou a peça Simpatico que se tornou filme. Ao longo de sua carreira de roteirista, recebeu duas indicações ao BAFTA e publicou outros dois romances Starter for Ten e The Understudy.

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