quarta-feira, 8 de abril de 2015

"Laranja Mecânica", de Anthony Burgess

LARANJA MECÂNICA
Anthony Burgess
199 páginas
Editora Aleph

Resolvi fazer uma coisa nova aqui no blog, uma vez por mês lerei um livro que virou filme, e então farei postagens falando tanto sobre o livro quanto sua adaptação cinematográfica, criarei uma categoria nova aqui no blog chamada Livro + Filme. Começando primeiramente por Laranja Mecânica, que foi adaptado para o cinema pelo gênio do Stanley Kubrick. A obra literária foi escrita por Anthony Burgess, e a edição brasileira ficou por conta da editora Aleph, que fez uma capa bem chamativa, mais tarde lançaram também uma edição caprichada comemorativa de 50 anos.

Neste mundo distópico, a violência entre os jovens cresceu de uma forma absurda, a ponto do governo criar uma solução extremamente drástica para resolver o problema. Ficamos conhecendo Alex, que será nosso narrador e nos apresentará toda a história. Líder de uma gangue futurista, junto com seus amigos adolescentes Georgie, Pete e Tosko, pratica todo tipo de ato hediondo e literalmente toca o terror por onde passa. Um dia, entretanto, Alex acaba sendo pego e indo parar na cadeia. Por lá ele acaba sendo cobaia de um experimento chamado Tratamento Ludovico, um tratamento que eliminaria tendências criminosas, mas que acaba usando métodos desumanos tão hediondos quanto as ações que Alex costumava praticar.

Edição comemorativa de 50 anos
A primeira coisa que você percebe quando começa a ler é o dialeto usado pelo personagem, pois para representar toda essa geração futurística, Burgess acaba criando palavras totalmente novas para incrementar a história. Como vemos tudo pelo ponto de vista do Alex, pode haver certa confusão na cabeça dos leitores sobre o que está acontecendo. Essa edição da Aleph possui um glossário no final explicando algumas palavras para quem quiser ler. Eu particularmente li sem consultar o glossário, já que ele não existe não existe na edição original, e a intenção do autor é justamente causar estranheza.

Outro ponto é a violência, contada de forma crua e sem piedade pelo protagonista, o que me faz concordar com um comentário da contracapa: "Alex é mau, depravado, anárquico, um monstrinho puro, e a pureza de sua maldade ilumina seus atos como um halo grotesco." Quem aí não curte crueldade, talvez devesse pensar bem antes de ler, mas acima de tudo o livro é excelente e vale a pena. O interessante que a violência não está ali apenas para chocar, ela na verdade é um elemento que levanta diversas questões de moralidade.

Sobre o autor

Anthony Burgess nasceu em Manchester em 1917. Formou-se em inglês pela faculdade de Manchester, serviu no Exército e, entre 1954 e 1960, trabalhou como professor junto ao Serviço Colonial britânico na Malásia.

Existe uma história muito curiosa por trás deste livro, pois quando Anthony Burgess escreveu esta obra tinha retornado a Inglaterra e foi diagnosticado com um tumor no cérebro, lhe restava apenas um ano de vida. Este fato o fez escrever diversas obras para que os direitos autorais ajudassem sua esposa depois de seu falecimento. Laranja Mecênica era um dos trabalhos, e o prazo que os médicos deram estavam acabando, fazendo com que o livro quase ficasse inacabado, já que ele tinha escrito apenas metade. O inusitado, porém, aconteceu, e o diagnóstico acabou provando-se estar errado. O autor viveu e conseguiu completar a obra, vindo a falecer somente em 1993.

Quem estiver interessado em ler sobre mais distopias clique aqui.

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