sábado, 25 de julho de 2015

"Na margem do rio Piedra eu sente e chorei"

NA MARGEM DO RIO PIEDRA EU SENTEI E CHOREI
Paulo Coelho
236 páginas
Editora Rocco

Para quem está acompanhando meu Desafio do Livro, sabe que eu tenho que ler um livro lançado no ano do meu nascimento. Para quem não sabe, eu nasci no ano de 1994, e neste mesmo ano Paulo Coelho estava lançando um dos seus livros. A escolha de leitura para esta categoria foi a indicação de uma amiga. Já tinha lido alguns textos do Paulo Coelho antes, mas nunca um dos seus livros. Apesar do preconceito em torno das obras do autor, eu confesso que o balanço geral sobre o resultado desta obra foi positivo.

Apesar do que o título faz parecer, Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei não é um livro sobre tristeza ou tragédia, e sim um livro sobre mudanças e decisões. O narrador da história é Pilar, uma mulher que na adolescência foi apaixonada pelo seu amigo, que conviveu junto desde a infância, e ele também parecia secretamente apaixonado por ela. Entretanto, nenhum dos dois parecia pronto para se declarar um ao outro. Depois que ambos terminaram os estudos, cada um seguiu seu rumo na vida. Ele resolveu viajar pelo mundo, e ela resolveu continuar os estudos fazendo faculdade, tentando encontrar estabilidade na vida.

Ambos continuavam se correspondendo por cartas, até que um dia ele a convidou para uma viagem para ir assistir uma de suas palestras. Quando ela vai visitá-lo, descobre que ele virou seminarista e está no caminho para tornar-se padre. E é está viagem de descoberta que mostrará se ambos poderão ficar juntos ou não. O livro nos deixará até a última página curioso para saber o destino de ambos, por isso não irei revelar nesta resenha.

A parte interessante é justamente vermos a mudança que vai ocorrendo com a protagonista, que antes buscava uma vida estável, mas que não se sentia feliz nela. Vemos vários exemplos de como as pessoas deviam mudar a vida mas não mudam etc. A leitura é bem rápida e escrita do Paulo Coelho é bem simples e acessível, por isso acredito que muitos vão compreender a mensagem que o autor quer passar. Entretanto o livro não é a prova de falhas e tem seus defeitos.

Uma das coisas que mais me irritou nesta obra é o fato dele ficar contando o tempo todo historinhas, ou parábolas, ou até mesmos exemplos de vidas, e o tempo inteiro ficar usando frases feitas (aquelas que tentam causar impacto). O que me fez pensar, em determinado momento, que o livro é uma grande picaretagem. Tenho certeza que muitas coisas que estão escritas no livro ele tirou de algum lugar, sem revelar de onde. A personagem principal até mesmo chega a comentar em determinado momento sobre uma história escrita há cem anos: "Esqueça o autor, e me conte a história".

O livro também fala bastante sobre a Deusa, que segundo pesquisei, foi algo que o escritor falava bastante nesta época. Inclusive, a parte espiritual do livro foi representada de uma forma bem interessante. Se retirasse todo o conteúdo de filosofia barata tenho certeza que esta seria uma obra muito melhor. Com todos os altos e baixos, a leitura no final compensa.


Sobre o autor


Paulo Coelho nasceu em 1947, no Rio de Janeiro. Um dos dez escritores mais lidos no mundo em 1996, seus livros já foram traduzidos em 36 línguas e publicados nos cinco continentes, com mais de 16 milhões de cópias vendidas. Já recebeu diversos prêmios por sua obras literárias.

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