sábado, 5 de setembro de 2015

"9 e ½ Semanas de amor", de Elizabeth McNeill

De tempos em tempos alguns tipos de assuntos, antes já debatidas no passado, parecem gerar certas polêmicas atuais. Os livros e filmes de Cinquenta Tons de Cinza, em que a protagonista envolve-se com um homem em práticas sadomasoquistas, gerou várias notícias e até mesmo entrou para o assunto de discussões entre o público em geral. Mal sabem eles que, anos antes, outro livro e filme tinha gerado polemicas semelhantes. Sim, estou me referindo a 9 e ½ Semanas de amor, que ganhou filme nos anos 80 estrelando Kim Bassinger e Mickey Rourke.


9 e ½ Semanas de amor
Elizabeth McNeill
151 páginas
Editora Universo dos Livros

Em 9 e ½ Semanas de amor a narradora nos conta seu curto caso com um homem (por isso o nome do livro) que conhece em uma feira. A partir daí, é como se estivéssemos lendo diversos relatos de momentos do convívio que ela tem com esse homem. Lendo a história podemos montar um panorama do relacionamento dos dois, que começa como um casal normal até ir se transformando em uma relação mais e mais desajustada envolvendo erotismo, violência e sadomasoquismo.

Segundo a autora (Elizabeth McNeil é um pseudônimo) este é um romance semi-autobiográfico. Detalhe que ela não é apenas mais uma mulher coitadinha e inocente, como nós vimos em muitas obras de sucesso atuais; e sim uma mulher de negócios, articulada, prezada pelos amigos, valorizada pelos superiores. Ou seja, ela mesmo escolhe por conta própria seguir uma relação em que é algemada, espancada, humilhada etc... Ela mesmo nos conta que de dia ela é uma mulher independente, e a noite, transforma-se em uma mulher submissa, que não consegue tomar decisões nem sobre suas necessidades mais básicas.

Talvez este seja a parte mais interessante, este contraponto de sua vida de dia e de noite. Entretanto, como comentei antes, a história nos é apresentada como relatos, e em nenhum momento a narradora levanta algum tipo de questionamento sobre a relação, deixando a cargo do leitor tirar suas próprias conclusões. Em um raro momento de reflexão, porém, ela percebe que aquilo tudo pode não acabar bem, retomando algum controle sobre si mesma.

A trama não tem rodeios e vai direto ao ponto, com uma escrita rápida com frases curtas, que segundo o Prefácio é descrito como minimalismo, eu prefiro dizer que é simplista mesmo. Inclusive, o Prefácio nos levanta pontos bem interessantes, não apenas sobre a história, mas também sobre a escrita da autora. Agora, se foge do clichê familiar e da pornografia convencional risível cabe ao leitor decidir. No próximo post falarei sobre o filme!

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