domingo, 27 de setembro de 2015

"Ovelhas Negras", Caio Fernando Abreu

Desta vez eu li um livro incrível, que gostei muito, muito mesmo, mas que talvez não tenha sido a melhor obra do autor para começar a ler. Eu explico, Ovelhas negras nada mais é que uma coleção de contos que ele guardou na gaveta por um longo tempo, que nunca foram publicados em livros individuais. Alguns foram censurados; outros, foram o próprio autor não achou digno de nota. Confesso que fiquei um pouco receoso no início, pois diferente do Caio Fernando Abreu, não costumo guardar meus textos recusados.


OVELHAS NEGRAS
Caio Fernando Abreu
239 páginas
Editora L&PM

Antes de cada conto existe um parágrafo, escrito pelo próprio escritor, falando um pouco sobre o texto que viria a seguir. É interessante vermos o próprio avaliando sua obra, e contando também um pouquinho de sua história. A maior parte dos contos considerei geniais, sendo um outro que não tenha gostado, e concordo quando ele diz, em um trecho: "E a forma mais eficiente de punir um personagem non grato é sem dúvida condená-lo à gaveta."

A escrita é poética, metafórica, e nos conta tanto coisas bonitas, quanto feias. Tanto felicidades, quanto dificuldades. É até difícil citar apenas alguns contos e falar sobre eles, pois cada um tem muita coisa a ser dita. O escritor não tem medo de expor suas ideias, seus conflitos, seus sentimentos, de parecer piegas e até mesmo maluco. Em um ponto ele diz que tenta traduzir Sylvia Plath, e achei isso tão magnífico, pois adoro a autora!

É um livro que tive muita sintonia, como se conversasse comigo. Talvez não funcione para outras pessoas, mas gostei muito, e estou louco para ler outras coisas do autor. Nem preciso falar mais nada, é uma obra que recomendo muito!

Sobre o autor

Caio Fernando Abreu nasceu em Santiago, RS, em 1948, e morreu em Porto Alegre, em 1996. Estudou Letras e Artes Cênicas na UFRGS. No entanto, abandonou ambos os cursos para trabalhar como jornalista de revistas de entretenimento. É considerado um dos grandes contistas brasileiros, anhou os prêmios Jabuti de 1984 e 1989.

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