segunda-feira, 16 de novembro de 2015

"Divergente", de Veronica Roth

Para este mês resolvi ler uma trilogia adolescente, faz tempo que não falo de um livro voltado para o público jovem adulto, e como algumas das características da trilogia Divergente coincidem com o meu desafio literário, resolvi aceitar a ideia de lê-los. Para quem não sabe, estes livros são distopias (sim, isso mesmo!), mas esqueça todas aquelas distopias clássicas maravilhosas que venho falando aqui no blog, porque estes livros são voltados para entretenimento, não em fazer uma crítica a sociedade. Mas calma, não estou dizendo que são livros ruins, apenas que eles devem ser lidos como diversão.

DIVERGENTE
Veronica Roth
502 páginas
Editora Rocco

A história se passa em uma Chicago futurista, onde a população é dividida em cinco facções: Abnegação (Altruísmo), Amizade (Generosidade), Audácia (Coragem), Franqueza (Sinceridade) e Erudição (Inteligência). Os capítulos são todos narrados por Beatrice (ou Tris, como será seu apelido mais pra frente), que é da facção da Abnegação. Ela é uma garota insatisfeita com a vida, que ama a família dela, mas que não acha que faz parte da facção em que nasceu. Ela não quer continuar a vida sempre pensando em ajudar os outros (que é o objetivo da facção que pertence), até que chega o momento do teste de aptidão. Basicamente o teste é o momento onde todos os jovens das fações participam de uma simulação para saber para qual facção eles pertencem. Mas a resposta do teste não é definitiva, ou seja, no momento da cerimônia eles escolhem qual facção realmente querem ir, servindo então mais como um indicativo em qual lugar eles se encaixariam melhor.

É a partir daí que o plot começa, pois Beatrice não precisa obrigatoriamente fazer parte da Abnegação, ela pode ir pra facção que ela realmente quiser. Só que caso ela escolha ir para outra facção, existe um problema... um não, vários problemas: o primeiro é que ela não pode entrar em contato com sua família novamente (as facções possuem uma grande rivalidade); ela não faz a menor ideia de como são as outras facções; e terceiro, se ela falhar no processo de iniciação da nova facção (sim, existem mais testes mais pra frente), ela pode acabar virando uma sem-facção, que nada mais são pessoas que moram em lugares miseráveis, são como mendigos.

O resultado do teste de aptidão da protagonista acaba a colocando como uma divergente, pois ela pode se encaixar em não apenas uma facção, e sim em outras. A escolha da facção que Beatrice vai ir depende dela, trazendo toda uma linha de pensamentos para qual facção ela deve escolher. Aí que entra um pouco do foco nos adolescentes, pois a autora representou os jovens que devem tomar decisões importantes sem ainda estarem preparados. Outro detalhe que achei legal é que a história não se desenrola em um monte de páginas dela se lamentando pra qual facção deve ir, pois a narrativa da Veronica Roth é bem rápida, e as decisões que a personagem toma ao longo da trama são colocadas em um curto período de tempo, sem enrolação.

Também não posso esquecer de falar que ser divergente também não é algo bem visto, e todos recomendam que ela esconda isso para si mesma. No início não nos é revelado o que é ser divergente, ou que risco traz para a personagem, ficando uma aura de mistério. Muitos leitores reclamaram que algumas coisas não ficaram muito bem explicadas, mas gente, se for pensar por este lado, não tem como levar a trilogia a sério, começando que o mundo criado pela Veronica Roth já é mal construído. Como dizia uma amiga, você tem que ativar sua suspensão de descrença, e pensar que estes livros são voltados para um público alvo, que prefere uma história sem muitas complicações.

No fim das contas, Beatrice escolhe a Audácia, e se muda para o local da sua nova facção. Lá ela faz novos amigos, inimigos, rivais e passará por desafios rigorosos. Inclusive, gostei muito dos testes de iniciação que ela passa, vários que me deixaram bem aflito. Os personagens complementares são legais, e não posso deixar de citar em particular o Quatro (sim, o nome dele é um número), que é basicamente o personagem que todo mundo gosta. Em determinados momentos pensei que a autora quis passar um ar mais maduro, e colocou algumas mortes, além de temas mais adultos.

Enfim, o desfecho do livro foi sem criatividade, existe um grande plano mirabolante que uma das facções está tramando e nossa heroína terá que resolver. Claro, nada fica resolvido, e há um gancho enorme para a continuação. Entretanto, nem o final mais ou menos me desanimou com a leitura, para falar a verdade gostei bastante. Muitos leitores disseram que a obra é uma mistura de Jogos Vorazes, com Harry Potter, com uma pitada de romance do Crepúsculo, e concordo plenamente, porém o que mais me lembrou foram os livros do Pedro Bandeira que li na adolescência, como A Droga da Obediência, da coleção Os Karas, alguém lembra?

Bem pessoal, é isso, espero gostar dos próximos livros tanto quanto gostei desse. Falarei da escritora no post do próximo livro, pois este acabou ficando enorme! Para ler mais sobre a trilogia, clique aqui.

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