quinta-feira, 5 de novembro de 2015

"Madame Bovary", de Gustave Flaubert

Quando eu terminei a leitura de Madame Bovary, várias coisas vieram a minha cabeça. Publicado em 1857, a obra nos apresenta uma França provinciana, com vários personagens contraditórios, além de temas que eram tabu na época. Para se ter uma ideia da importância da obra, a maneira de se escrever romance mudou completamente depois disso. É imprescindível falar da obra sem revelar detalhes da mesma, por isso se quiser continuar lendo se prepare para spoilers. O post também contará com uma linguagem coloquial, estejam avisados.

MADAME BOVARY
Gustave Flaubert
336 páginas
Editora L&PM

A protagonista Emma se casa ainda jovem com o senhor Bovary, esperando ter a partir disso uma vida cheia de emoções, como os dos romances que leu durante a vida, mas acaba percebendo que se casou na verdade com um verdadeiro bananão. O senhor Bovary não tem nenhuma ambição na vida, não gosta de ter emoções fortes e parece sempre se contentar com pouco. Isso acaba apavorando Emma, que é uma pessoa completamente avessa a vida cotidiana.

Emma é representada como uma mulher sonhadora, que gosta de ler muitos romances, que sabe que tem apenas uma vida e deve aproveitá-la ao máximo. Porém, ela se debate em seu intimo pois vive em uma realidade conservadora, burguesa, católica, patriarcal... Mulheres naquela época não tinham desejos, mas viviam para servir os desejos dos homens. É então que começa a grande polêmica do livro, tanta polêmica que o livro quase foi proibido na época, sendo que o escritor foi levado a julgamento (sendo absolvido depois).

Para os desavisados, Emma Bovary passa a ter vários casos extra conjugais, ou seja, ela era uma mulher adúltera (e caso você seja conservador, uma verdadeira biscate, ou como se dizia antigamente, uma mulher pérfida). Claro, não quer dizer que na época não houvessem casos onde mulheres pulassem a cerca, mas foi a primeira vez que isso fosse representado na literatura.

O que mais gostei foi essa ideia de Emma sempre estar insatisfeita com tudo: com as pessoas, com o que ela possui, com seus relacionamentos etc. Esta questão de querer levar uma vida cheia de aventuras de forma romanceada, é algo que me fascina. Porém, sabemos que a vida real não é bem assim, e achei interessante que a personagem tenha tido essa coragem. Porém, não devemos pensar que Emma é a personagem mais simpática do mundo. Em vários momentos ela é egoísta, com dificuldades de lidar com as frustrações, e eu poderia dizer que até mesmo infantil.

Inclusive, nenhum personagem do livro será uma pessoa carismática, todos eles possuem uma personalidade bem ambígua, e posso dizer que isso torna o livro bem mais realista. Vários personagens vão fazer comentários dando uma cutucada em política, religião, ciência... A obra trabalha a sutileza de uma forma incrível, e esse detalhe, aliado às belas descrições que Flaubert faz de uma França provinciana, se torna um charme ainda maior aos leitores.

Concluindo, é uma obra cheia de méritos, que precisa ser lida, trouxe uma revolução na época, e continua tão encantadora até hoje.

Sobre o autor

Gustave Flaubert foi um importante escritor francês do século XIX. Nasceu na cidade de Rouen, na França, em 12 de dezembro de 1821 e faleceu em 8 de maio de 1880. É considerado um dos principais representantes do Realismo. O processo criativo do escritor era paciencioso, envolvendo inúmeras versões e a infatigável busca pelo mot juste (a palavra exata), que diria exatamente o que o conjunto da obra requeria, nem mais, nem menos, chegando-se a um conjunto orgânico.

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