segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Personagem do mês: Porco Napoleão

Este mês eu li tanta coisa com tantos personagens legais que foi até difícil escolher qual personagem eu falaria aqui. Acabei optando por um dos mais icônicos, que é o porcão Napoleão, de A Revolução dos Bichos. Este livro é uma fábula, uma alegoria para representar a sociedade. E os porcos foram escolhidos para representar os opressores.


Basicamente os bichos da fazenda conseguem a revolução que tanto queriam, livre dos humanos, em que todos os animais são iguais. Porém, não é isso que acontece, e é aí que entra o porco Napoleão, querendo obter poder absoluto. Ele treinou filhotes de cães para serem leais a ele e agirem como sua força militar, metendo medo em qualquer um que ousasse ir contra sua opinião. Foi assim que tomou o poder e pouco a pouco começou a ter controle da fazenda inteira. A divisão dos trabalhos era injusta, enquanto os porcos faziam muito pouco, os outros animais se matavam de trabalhar. E o pior, eles eram levados a acreditar que a vida atual deles era melhor que antes da revolução.

"Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros."

Em algum momento os animais tomam alguma consciência da situação em que estão vivendo, mas logo já são controlados, principalmente pelo medo. Napoleão vive dizendo que os humanos estavam tramando tomar a fazendo de volta. Inclusive mencionou que Bola-de-Neve, o porco rival que também tentava governar a fazenda, estava se aliando aos humanos naquele momento. Outro detalhe é que tudo que dava de errado na fazenda era culpa de Bola-de-Neve, sendo que o porco já tinha fugido muito antes sem nunca ter dado as caras novamente. A paranoia ficou tão grande que alguns animais da fazenda foram obrigados a "confessar crimes" para mostrar que haviam trapaceiros entre eles, gerando várias mortes.

"Quatro pernas bom, duas pernas melhor!"

Outra maneira de lavagem cerebral usada eram os desfiles, as musiquinhas que eles cantavam direto, as regras que eles entoavam como uma forma de conforto. Falando nas regras, conforme mais poder o Napoleão conquistava, mais ele ia se afastando das ideias propostas na época da revolução, e quando os bichos iam ver lá no galpão as regras, sempre notavam uma emenda no original que não parecia estar ali antes, e que justificava o comportamento dele. Conforme o tempo ia passando, o comportamento de Napoleão ia se transformando mais aos dos humanos, se tornando um verdadeiro tirnao. A última fase do livro é genial, e tenho certeza que muitos releram de novo.

"Era impossível distinguir quem era homem, quem era porco."

Como falei na resenha do livro, Napoleão é uma representação de Stálin, assim como o Bola-deNeve é de Trotski. Tudo que estava ocorrendo na história era uma analogia escancarada do que ocorria na União Soviética. Sim, a ideia de Orwell foi gerar um desconforto e fazer uma ofensa aos dirigentes russos. Ao longo dos anos, vemos muitas reinterpretações do livro que Orwell escreveu, mas um ponto a mensagem fica bem clara: o verdeiro inimigo é aquele que quer restringir a liberdade em favor de um bem supostamente maior. E quantas vezes nos deparamos com histórias parecidas com o tirano Napoleão? Vale a pena refletir...

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