segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

"A terra inteira e o céu infinito", de Ruth Ozeki

Esta postagem devia ter saído no começo de Janeiro, mas como enrolei para terminar de ler o livro (explico ao longo da postagem) este post só foi sair agora. Já vou dizendo que comecei o ano terminando uma excelente leitura, tenho certeza que A terra inteira e o céu infinito entra fácil para os melhores livros lidos em 2016.

A TERRA INTEIRA E O CÉU INFINITO
Ruth Ozeki
464 páginas
Editora Casa das Palavras

O elogiado livro escrito por Ruth Ozeki é dividido em duas histórias, uma sobre Ruth, que encontra na costa canadense um diário sobre uma menina japonesa; e Nao, a menina que narra a história do diário. Devo dizer que o que me chamou a atenção para ler o livro é justamente a história da Nao, quando fiquei sabendo que se tratava sobre bullying nas escolas japonesas pensei: "preciso ler isso". E ao ler ficamos sabendo todo tipo de maltrato bizarro que alunos sofrem no Japão.

Mas vamos do começo, Ruth é uma mulher casada que é uma escritora frustada que não está exatamente feliz onde mora. Ela encontra esse diário e se dedica totalmente a ele, indo em busca de cada informação que puder sobre Nao e o Japão. Já a parte de Nao são seus relatos do cotidiano em Tóquio, onde ela e sua família vivem depois que faliram nos EUA e se viram sem escolhas a não ser voltar ao Japão. E este regresso não será fácil, sem muitas condições para viver o pai de Nao terá sérios problemas, já Nao por si só é péssima na escola e com os colegas, enquanto a mãe acaba tendo que tomar as rédias da situação, mas sem saber lidar com os problemas.

A primeira parte do livro é a introdução da Ruth e da vida de Nao, o bullying sofrido por ela na escola é tanto psicológico quanto físico, e como falei, bizarro. Sem entregar muitos spoilers, mas em um determinado momento os alunos da classe chegam a fazer um funeral de verdade para representar que ela simplesmente não existe. O bullyig é tão revoltante que nós concordamos com todas as angustias da personagem. As coisas começam a melhorar um pouco quando ela é enviada para um templo budista e tem contato com sua avó Jiko, que é uma monja. O livro é dividido em quatro partes, e a segunda parte, que mostra o passeio dela pelo templo em Sendai, é a mais divertida e interessante.

A terceira e quarta partes são menores e encaminham a história para o final. Desta vez conhecemos um pouco mais da história de Ruth, e seu envolvimento com seu marido Oliver. Confesso que isso me desanimou um pouco, pois sempre vimos eles como observadores, e sua história não é tão interessante quanto a de Nao. Isso talvez foi um artificio da autora usado para que conseguíssemos nos identificar com a personagem e então pudêssemos fazer ligação com a história de Nao. E mesmo os pequenos defeitinhos da história não impedem do livro ser bom.

Lá no começo disse que me demorei na leitura, e isso é verdade, comecei a ler em Novembro de 2015 e terminei agora no final de Janeiro de 2016. E como a própria Ruth disse, este não é um diário de se ler em um fôlego só, e sim ir acompanhando a história de Nao aos poucos. Confesso que seguir um ritmo menor e ler os capítulos de forma lenta foi uma sensação bem agradável. Este é um livro perfeito para fazer marcações também, pois apresenta várias ideias diferentes. É um livro altamente recomendável, e quero saber mais sobre as outras obras da escritora.

Sobre a autora

Ruth Ozeki é escritora, diretora de cinema e zen-budista. É autora dos livros My year of meats e All over creation. Seus filmes independentes, aclamados pela crítica, incluindo Helving the bones, foram apresentados no Festival Sundance de Cinema e exibidos pela PBS. Ruth Ozeki é afiliada do Brooklyn Zen Center e da Everyday Zen Foundation. Mora na Colúmbia Britânica e na cidade de Nova York.

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