domingo, 13 de março de 2016

"Terras Metálicas", de Renato C. Nonato

Difícil falar negativamente de um livro brasileiro aqui no blog, principalmente um que envolve história de fantasia.  Não vejo muitos escritores brasileiros que escrevem sobre fantasia ganhando destaque na "mídia literária", ou eu que não acompanho realmente de perto os lançamentos. Vendo tudo isso, darei uma opinião mais ponderada sobre a obra.

TERRAS METÁLICAS
Arthur C. Nonato
615 páginas
Editora novo século

A história basicamente se passa na Esfera, um local que foi criado para proteger a humanidade (ou o que restou dela) de uma grande guerra que aconteceu na Terra, que destruiu tudo e espalhou radiação tornando impossível a vida de existir. Ficamos então conhecendo a Raquel, a protagonista de 12 anos, que estuda em uma academia, como uma escola normal mesmo, mas que se preparada para participar da cerimônia de implantação de um chip. Este chip concede poderes especiais, e cada um dos estudantes acaba sendo catalogado dependendo de seus poderes: Túneis, Bios, Sibérios, Antenas e Exilados. Os últimos são as pessoas que não possuem poderes, que é quando o organismo rejeita o chip, e como o próprio nome diz, acabam se tornando 'párias'. E ainda existe a Facção, uma organização maligna que comete terrorismo na Esfera.

Não vou mentir, achei o livro bem previsível. O principal ponto ruim foi que a maior parte do que li ali parecia já ter sido feito antes. Não sou o maluco das comparações, ou até mesmo de diminuir uma obra por causa de outra, mas neste caso acho que o próprio autor pesou a mão nas semelhanças. Senti que a academia e a as aulas me lembraram muito Hogwats e as lições de magia que Harry tinha. A escolha de divisão da sociedade me lembrou Divergente. Já os poderes me lembraram X-Men, um personagem tem o poder de levitação, outro de ler mentes, outro pode mudar o corpo e por aí vai... Tem uma bebida delirante que os personagens tomam que a descrição é parecida com a Dinamite pangaláctica do Guia do Mochileiro das Galáxias. Até mesmo a ideia de uma grande guerra onde as pessoas ficam condicionadas a um ambiente me lembra a história da série de games Fallout. O começo do livro é extremamente chato por causa dessas semelhanças.

Não estou dizendo que o escritor tenha se inspirado exatamente nos pontos que citei (e muito menos estou dizendo que é cópia, longe disso), mas no mínimo Harry Potter a inspiração é óbvia. Tinha uns começos de capítulos que me passaram a mesma sensação de quando eu lia a saga do bruxo, e não só pelos acontecimentos, mas também pela escrita, J.K. Rowling literalmente inspirou uma geração. O que faltou no livro foi inovação, um ponto onde nós realmente pudêssemos ver algo de diferente.

Outra coisa que me incomodou, e pode nem ser importante, é o fato do livro ser bem inocente. Poucas vezes li um livro tão casto. Não há uma piada de duplo sentido, nenhum olhar mais ardente, nem uma cena de namorico escondido entre os personagens. Falando em personagens, não me apeguei a nenhum, seja a turminha principal, os adultos ou até mesmo os rivais que vão aparecendo. Faltou uma ousadia em contar a história, o autor poderia ter feito os alunos principais serem mais velhos, ficaria mais cabível aos acontecimentos que eles acabam passando e podia acrescentar outros elementos.

Mas você deve estar pensando, eu não gostei de nada? Nadica de nada? Pois então, gostei dos tashis, que são robozinhos que lembram muito tamagotchis, e que ficam voando ao redor do dono e conversando com eles, isso gera momentos engraçados ao longo da história.

No geral, são 615 páginas de uma história que nem me lembrarei na semana que vem. Eu ainda nutria uma esperança que ele no mínimo fosse colocar uma crítica nos pontos que toca sobre a Esfera, mas não, ele simplesmente quis fazer um livro infanto-juvenil divertido. Só não entro em mais detalhes da história para evitar spoilers. Termino o post dizendo que vi muitas críticas positivas pela web, então dê uma chance a este escritor brasileiro. Eu sei que já tenho uma bagagem literária e talvez por isso vejo tanta referência, leitores mais novos podem não notar e isso nem fará diferença.

Sobre o autor


Renato Carajelescov Nonato nasceu em Rudge Ramos em 1987. Formado em Engenharia Química, atualmente divide seu tempo entre o curso de mestrado na Engenharia de Materiais e uma pequena academia, onde ministra aulas de boxe chinês. Escreve como hobby desde os 16 anos.

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