segunda-feira, 4 de julho de 2016

"Watchmen", de Alan Moore & Dave Gibbons


Quando decidi falar sobre este incrível quadrinho aqui no blog, logo pensei por onde podia começar... e foi uma tarefa difícil, pois todas as ideias contidas na história me conquistaram, e eu queria falar sobre tudo! Não apenas uma história de super-herói, Watchmen traz realidade aos personagens, traz uma visão sobre guerra, o ser humano, ciência, política. Foi por causa desta obra, principalmente, que quadrinhos deixaram de ser um nicho de entretenimento, e passaram a ser considerados arte.


WATCHMEN
Roteiro: Alan Moore
Arte: Dave Gibbons
Cores: John Higgins
Editora original: Vertigo
Editora brasileira: Panini Comics
460 páginas

A história se passa no passado, principalmente nos EUA, em um universo muito parecido com o nosso, que em determinado momento teve acontecimentos diferentes e levou o mundo para outro rumo. Basicamente, um cara resolveu um dia se fantasiar e combater o crime, logo outras pessoas se inspiraram nele e saíram fantasiadas enfrentar vilões também, foi então que surgiu os super-heróis. Como disse antes, a trama é a mais real possível, nós não temos personagens com super poderes, apenas pessoas normais com habilidades em combate. E não penas isso, elas são pessoas falhas, com problemas, possuem diversas opiniões conflitivas e maneiras de ver o mundo. A única exceção nisso tudo é o Dr. Manhattan, que possui vários poderes, e é o catalisador das diversas mudanças que ocorrem na linha do tempo da história.


Para se ter uma ideia, Dr. Manhattan possui tantos poderes, tantos poderes, que é quase como um deus, e obviamente o governo americano vai se aproveitar disso. Richard Nixon, o presidente, teria conduzido os EUA à vitória na Guerra do Vietnã e em decorrência deste fato, teria permanecido no poder por um longo período. Houve outras mudanças também, como o avanço da tecnologia, temos carros elétricos, por exemplo. Além disso, a antiga equipe de super-heróis começa a ser aposentada, e novos vão surgindo. Tempos depois, a popularidade dos heróis começa a cair, e passou-se a questionar a existência deles. Foi então sancionada a Lei Keene, que exigia que todos os "aventureiros fantasiados" se registrassem. Cada personagem tomou um rumo diferente a partir disso, explico  mais abaixo.


A história da graphic novel começa com Rorschach, um super-herói que trabalha na surdina,  investigando o desaparecimento de um homem, que na verdade é Edward Blake, um antigo super-herói aposentado que fez várias missões para o governo. Logo no começo já é criado uma teoria de paranoia, onde todos os mascarados estariam correndo risco de vida. Rorschach tenta avisar os heróis do que está acontecendo: Daniel Dreiberg (Coruja), Adrian Veidt (Ozymandias), Laurie Juspeczyk (Silk Spectre) e Dr. Manhattan (Jonathan Osterman). Também há como pano de fundo uma guerra iminente entre EUA e a União Soviética, que pode devastar o mundo, e só não ocorreu ainda por causa do Dr. Manhattan.

PERSONAGENS


Há muitos personagens, mas aqui focarei apenas nos que se tornam mais recorrentes:

Comediante - Apesar de morrer no início, fatos que aconteceram em sua vida irão repercutir em toda a história.
Rorschach - Depois da Lei Keene, se recusou a se registrar, desde então passou a trabalhar por contra própria, de forma obscura.
Ozymandias - Aposentou-se antes das polêmicas com super-heróis, se aproveitou disso para lucrar em cima da própria imagem e se tornar um bilionário.
Coruja - Substituiu o primeiro Coruja na segunda geração, depois da Lei Keene se aposentou e leva uma vida normal.
Dr. Manhattan - Tem poderes de um deus. Como fica sua humanidade depois de se tornar um deus?
Espectral - Seguiu como heroína por conta de sua mãe, que também foi heroína no passado. Depois da Lei Keene abandonou a "carreira" e vive com o Dr. Manhattan.


Não sei se consegui explicar de forma sucinta o mundo de Watchmen. Tenho como regra principal aqui do blog não revelar nada muito importante para não estregar a surpresa do leitor, então podem ter certeza que não revelei nem 1/3 da história! Várias questões foram levantadas enquanto eu lia, e espero que o leitor tenha a mesma sensação de grandeza que eu tive ao acompanhar freneticamente as páginas. Alan Moore escreveu uma obra-prima, e Dave Gibbons conseguiu transmitir isso de forma brilhante, não apenas pelo belo traço, mas também pela forma que trabalhou as cenas nos quadrados de forma original, além de ângulos que fazem parecer estar acompanhando um filme.

Pretendo fazer ainda uma segunda leitura, e então faça mais posts comentando cada detalhe interessante que notei. Mas não é para agora, nem para este mês, isso seria para outro momento. Também farei uma postagem especial com um dos personagens, aguardem!

Sobre os criadores

Alan Moore é um escritor britânico, nascido em 18 de novembro de 1953, e conhecido principalmente por seu trabalho em histórias em quadrinhos. Descrito frequentemente como o melhor escritor de quadrinhos de toda história e um dos escritores britânicos mais importantes dos últimos cinquenta anos. Entre outros de seus trabalhos está A Piada Mortal, e V de Vingança.

Dave Gibbons nasceu em 14 de abril de 1949. Foi um dos talentos britânicos descobertos por Len Wein em 1982 e começou a desenhar o Lanterna Verde para a DC Comics. Tornou-se conhecido nos quadrinhos britânicos pouco depois de começar a trabalhar em títulos de terror publicados pela DC Thomson e pela IPC Media. Sua obra mais conhecida foi a colaboração com Alan Moore na série Watchmen.

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