terça-feira, 16 de agosto de 2016

"Jogador Nº 1", de Ernest Cline

Se eu pudesse definir esse livro em uma frase seria: "É uma grande conversa sobre a cultura pop americana dos anos 80". Não sou fascinado pelos anos 80, mas devo admitir que consegui me divertir com a história. Contudo, no meio de toneladas de referências, o livro consegue ser chato, clichê, raso e segue para um fim previsível. Leiam abaixo o que achei da trama que já nasceu pronta para virar filme.

JOGADOR Nº1
Ernest Cline
Editora LeYa
364 páginas

A sinopse é bem simples: O ano é 2044 e a Terra não é mais a mesma. Fome, guerras e desemprego empurraram a humanidade para um estado de apatia nunca antes visto. Wade Watts é mais um dos que escapa da desanimadora realidade passando horas e horas conectado ao OASIS – uma utopia virtual global que permite aos usuários ser o que quiserem; um lugar onde se pode viver e se apaixonar em qualquer um dos mundos inspirados nos filmes, videogames e cultura pop dos anos 1980. Mas a possibilidade de existir em outra realidade não é o único atrativo do OASIS; o falecido James Halliday, bilionário e criador do jogo, escondeu em algum lugar desse imenso playground uma série de easter-eggs que premiará com sua enorme fortuna – e poder – aquele que conseguir desvendá-los.

Não há muito o que se dizer da história além da sinopse acima. O único acréscimo que eu faria é que existe uma empresa vilã querendo conseguir vencer a qualquer custo, bem no estilo Equipe Rocket de Pokémon, onde mais atrapalha os personagens do que consegue ser uma real ameaça. Se você é fã da cultura dos anos 80, com certeza vai se animar com o monte de referência que Wade faz ao longo de sua jornada em busca do easter egg perdido. Descobri que sou mais nerd do que achava ao entender várias das coisas antigas que eles estavam falando. E o que eu não sei, tive uma enorme curiosidade de ir atrás do material para assistir, jogar, ouvir... Esse foi o ponto mais positivo, me fazer ter vontade de ir atrás de outros conteúdos para saber mais sobre essa cultura oitentista.

O ponto negativo fica por conta dos eventos que acontecem no mundo real. Enquanto a realidade virtual é incrível e muito bem pensada, o mundo real pereceu de criatividade. Sempre apoio quando livros fazem críticas ao mundo real, no entanto Jogador Nº1 acaba por apenas levantar questões de forma rápida, sem se aprofundar em nada. Fica pior ainda quando pensamos que o mundo real foi construído de forma clichê, já vimos várias coisas parecidas antes, que foram muito melhor trabalhadas. Talvez a única exceção seja a cena do software para exercícios, que consegue se encaixar de forma brilhante por ser engraçada.

A história é inteiramente contada pelo ponto de vista do Wade, o resto do elenco de personagens acaba por ser pouco desenvolvido. Mas eu compreendo, já que boa parte dos relacionamentos se passa no mundo virtual, ou seja, é difícil vermos as reais emoções dos personagens, o que está se passando com eles do outro lado, e até mesmo se eles são quem realmente dizem ser. Perto do final do livro existem surpresas bacanas sobre alguns personagens. Falando em final, o livro consegue ser extremamente previsível, todavia acredito que era exatamente isso que os leitores queriam. O final é bem redondinho, sem necessitar de continuações desnecessárias, o que é legal visto que hoje cada vez mais temos editores mercenários querendo lançar uma saga inteira de qualquer jeito.

Sobre o autor

Ernest Cline nasceu em 29 de Março de 1972, além de escritor também é roteirista. É conhecido por ter escrito Jogador Nº1 e Armada. Escreveu o roteiro do filme Fanboys, ou seja, o cara gosta de reverenciar a cultura pop. Também será o responsável do roteiro para a adaptação em filme de Jogador Nº1, que será dirigido pelo lendário Steven Spielberg. Como ficará esse filme com o monte de direitos autorais que eles terão que pagar por causa das referências? Só saberemos ano que vem!

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