sexta-feira, 2 de setembro de 2016

"Androides sonham com ovelhas elétricas?", do autor Philip K. Dick

Eu comentei no meu post Desafio 10 livros para 2016 que Philip K. Dick é aquele escritor que nunca cheguei a ler nada, mas assim que tivesse a oportunidade, teria certeza que ia adorar. E foi exatamente isso que aconteceu. Androides sonham com ovelhas elétricas? não é simplesmente uma história sobre um homem que caça e destrói androides, e sim uma reflexão sobre vários aspectos da vida.

ANDROIDES SONHAM COM OVELHAS ELÉTRICAS?
Philip K. Dick
269 páginas
Editora Aleph

A história se passa depois de uma grande guerra, que varreu tudo em radiação, e que transformou o mundo em um lugar feio, poluído, sem o menor resquício de natureza e com animais quase extintos. A Organização das Nações Unidas resolve incentivar as pessoas a deixarem a Terra e viverem em colônias no espaço (como Marte, por exemplo). Alguns, por outro lado, seguem vivendo na Terra, e é então que conhecemos Rick Deckard, que trabalha em uma sessão da polícia relativa a "aposentar" androides, seres muito parecidos com os humanos, fabricados e replicados para trabalharem como escravos em colônias no espaço.

Os androides são tão parecidos com seres humanos que possuem não apenas uma aparência perfeita, como também sentimentos e emoções. Neles são implantados memórias falsas, para acreditarem que são pessoas reais, e então trabalharem sem fazer as típicas perguntas: De onde vim? Para onde vou? Por quanto tempo? Qual minha finalidade nesse mundo? No entanto alguns descobrem a verdade, resolvem se rebelar e voltam para a Terra, onde são proíbidos. A única suposta diferença dos androides é não sentir empatia (a capacidade de entender e sentir o que outra pessoa está experienciando, tecnicamente).

Rick Deckard começa a história indo investigar a empresa que fabrica os androides, pois pretende conhecer o novo modelo Nexus-6, que são tão incríveis que conseguem se passar facilmente como pessoas normais. Para conseguir identificar o que é real e o que é artificial, foi criado o teste Voight-Kampff, que consiste em uma série de perguntas, onde é analisado a reação do interrogado em diversas situações. Ao longo do livro acaba se criando uma completa paranoia sobre quem é androide ou quem é humano, inclusive no próprio protagonista.

Existe também os humanos Especiais, que foram afetados de alguma forma pela radiação. Eles não podem sair da Terra, e além disso são considerados inferiores, sendo muito pobres e vivendo de forma isolada. Nesta questão temos o ponto de vista de Isidore, que até mesmo tem um emprego, mas que nitidamente não consegue se encaixar na sociedade. O personagem se afeiçoa justamente pelos androides fugidos do espaço, que não o tratam muito bem, mas ele não se importa, pois ainda são suas únicas companhias. Isidore também acredita fortemente no mercerismo, que é uma espécie de religião que funciona em torna das caixas de empatia, uma tecnologia que conecta vários usuários ao mesmo tempo para uma troca de sentimentos.

Não posso me esquecer de falar sobre os animais, que ganham um bom destaque ao longo da obra. Como expliquei no começo, animais de verdade são praticamente extintos, fazendo com que apenas pessoas muito ricas possam ter um. A grande maioria possui animais elétricos, que são mais baratos, e que também são muito parecidos com os verdadeiros, e que apenas se percebe que são falsos ao prestar atenção de perto. Ter um animal de verdade é sinônimo de status, e veremos em vários momentos Deckard tentando realizar o sonho de ter um animal que não seja elétrico. Convenhamos que a maioria da simbologia do livro gira em torno disso, e é bem interessante a questão ser levantada em uma ficção futurista, pois vemos que cada vez mais quem sofre com o atos dos seres humanos são justamente os bichos.

O livro aborda vários outros temas, mas ficaria um post gigantesco falar sobre tudo. Na minha visão, esta é a história que chegou mais perto de representar o futuro. Também falarei em breve sobre o filme dirigido por Ridley Scott, que é sensacional, e aí aproveito e digo se eu realmente acho que Rick Deckard é ou não um androide replicante.

Sobre o autor


Philip K. Dick nasceu nos Estados Unidos em 1928. Embora não tenha o justo reconhecimento em vida, a excelência de sua obra tornou Philip K. Dick uma referência da ficção científica do século 20. Ao longo de sua vida e de sua carreira, Dick nunca deixou de suspeitar do mundo em sua volta. O profundo questionamento da condição humana e da verdadeira natureza da realidade tornou-se uma marca indelével de sua obra. Vários de seus trabalhos tornaram-se mundialmente conhecidos ao serem roteirizados e transformados em grandes sucessos do cinema. Morreu em 1982, em decorrência de um acidente vascular cerebral, aos 53 anos.

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