sábado, 3 de setembro de 2016

Filme Blade Runner

Inspirado no livro "Androides sonham com ovelhas elétricas?", Blade Runner é um das raras exceções onde o filme consegue ser tão bom quanto sua contraparte literária. Mesmo tendo inúmeras diferenças com relação a história escrita por Philip K. Dick, a ficção futurista consegue ser fiel em sua essência. O filme não envelheceu em todos esses anos, e é uma obra que conseguiu ser poético, subjetivo, bonito e feio ao mesmo tempo, explico mais abaixo.

Carros voadores, telões, cores e uma arquitetura grandiosa
Muita da visão futurista da história não se concretizou, não temos carros voadores ou androides andando pela rua, por exemplo; contudo, por outro lado, muito da tecnologia mostrada ali existe hoje, temos uma arquitetura gigantesca cercada por poluição, e um mundo controlado por poucas corporações, sem contar a mistura das línguas. Se formos analisar, muito dessas previsões feitas no filme estão realmente acontecendo. É estranho ver também como o diretor Ridley Scott conseguiu pegar a visão oitentista e mesclar tão bem com uma trama futurista. Os cabelos, a maquiagem, o casaco transparente de uma das personagens, tudo isso consegue impressionar mesmo sendo muito anos 80.


O filme cortou muitas coisas do livro, como a esposa do Deckard, o mercerismo, ou a grande guerra, inclusive em nenhum momento é citado que os animais do planeta estão quase extintos. Porém, de todas as mudanças, os androides foram os que obtiveram maiores transformações. Os androides replicantes ganharam mais personalidade e destaque, além de uma motivação a mais, que seria conhecer seu criador, além da busca por uma vida mais longeva para sua efêmera existência que dura apenas quatro anos. Já o personagem Deckard continua praticamente igual, ele não é um personagem heroico como nos modelos clássicos que conhecemos. Apanha de todos, é meio covarde, só funciona empunhando uma arma, e está constantemente assustado.


Falando de atuações, quem mais se destaca é o ator Rutger Hauer, que interpreta o replicante Roy Batty. Esse ator, inclusive, falou anos depois em um documentário para a BBC que, se não fosse pelo Harrison Ford e seu personagem, talvez não teria brilhado tanto no papel. Falando sobre a atuação do Harrison Ford, muitos amam, e outros odeiam. Eu particularmente fico dividido, o personagem Deckard realmente foi feito para parecer um pouco apático, mas em certos momentos consigo ver uma certa má vontade na atuação do ator. Talvez o problema tenha decorrido principalmente por causa dos inúmeros atrasos que as filmagens sofriam. Inclusive, falar sobre os problemas que o filme passou renderia um post exclusivo falando sobre barracos nos bastidores.

A mistura de ficção científica com noir
Um ponto importante a ressaltar é que o filme não foi um sucesso estrondoso em 1982, na época que foi lançado. O filme havia passado por várias sessões-teste onde os espectadores relataram não compreender a história, o que fez com que o estúdio lançasse uma série de versões diferentes do mesmo filme. A principal diferença que todos acabam comentando sempre é a narração em off do personagem de Harrison Ford, trazendo um final mais otimista. Eu particularmente não gosto da cena, acho que ela se distancia muito do clima do filme. Mas concordo com quem diz que a narração é tão displicente, tão abertamente descontente, que dá um ar ainda mais vagabundo, jogando o filme definitivamente no noir.

A famosa frase "Tears in rain" foi inventada pelo próprio ator durante a cena
Um clássico sem qualquer duvidas, acredito que todo mundo deveria ver o filme pelo menos uma vez na vida. Essa mistura de filme noir com ficção científica deu tão certo que até hoje vemos diversos obras cinematográficas que se inspiram em Blade Runner. Philip K. Dick morreu sem ter visto sua obra sendo levada ao cinema. Mesmo tendo desacordos com o estúdio e de não ter gostado do primeiro roteiro, acabou vendo algumas cenas antes de morrer e ficou encantado. E nós, ainda hoje, temos a oportunidade de relembrar este grande filme.

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