terça-feira, 27 de setembro de 2016

"The Bell Jar", de Sylvia Plath

A redoma de vidro, título brasileiro para The Bell Jar, é aquele tipo de livro que recomendo fortemente que todo mundo leia, mas não gosto muito de falar sobre para não estragar a surpresa da leitura. É um livro que começa de um jeito, mas ao longo da história vai se transformando de uma forma completamente diferente. Foi uma grata surpresa quando eu li, lá no final da minha adolescência, e que me fez pensar em diversas coisas. Já li muitas resenhas que explicam tudo sobre o livro na web, e aqui serei bem sucinto, na tentativa de atiçar a curiosidade de vocês para lê-lo.


A REDOMA DE VIDRO
Sylvia Plath
288 páginas
Editora Harper Perennial 

O começo da história parece bem bobinho, com uma garota, Esther Greenwood, ganhando um estágio de verão para trabalhar em uma famosa revista feminina de New York. Quando você inicia a leitura, tem a impressão que será algo no estilo O Diabo Veste Prada, o filme com a moça que vai trabalhar com moda e acaba se deslumbrando com aquele mundo. Porém aqui é completamente diferente. O começo é bem humorado, Esther tem uma amiga chamada Doreen, que é simplesmente hilária, a própria protagonista é inteligente e vai dar umas respostas incríveis às pessoas que encontra, que fazem o leitor se divertir. Contudo, conforme acompanhamos a jornada dela, percebemos que a trama na verdade segue para outro rumo.

Na metade do livro começamos a perceber que a personagem está com depressão, e é em estado bem avançado. Até aquele momento da vida, Esther nunca tinha notado sinais da doença, até que em um determinado momento tudo explode. E é uma depressão tão profunda, que nós vamos acompanhar essa jovem literalmente enlouquecendo. A escrita da Sylvia Plath é tão incrível, que nós embarcamos nos problemas que a personagem passa e achamos tudo aquilo normal, e isso é muito assustador. Vale lembrar que o livro é semi autobiográfico, a Sylvia Plath realmente passou por um situação igual, e a própria vida da autora é meio trágica, falo mais abaixo para quem tiver interesse.

Vários são os pontos que a escritora aborda. O livro se passa no começo da década de 1950, uma época em que as mulheres eram criadas para se tornarem donas de casa, e Esther vai justamente criticar isso. Muito do sufocamento que a protagonista passa é principalmente pelo fato de não se encaixar no que esperam dela. Vamos conhecer também seu namorado, que é um dos caras mais malas que eu já vi, e que contribuiu para essa sensação de sufocação que ela sente. E além de tudo, também vemos ela lidando com questões típicas de quem terminou a adolescência e entra na fase adulta: como carreira, desinteresse pelo futuro, e até mesmo frustração pela vida.

Como eu disse, é um livro incrível, como uma sensibilidade que só a Sylvia Plath conseguia ter, e é uma recomendação que faço a todos.

Sobre a autora


É um pouco difícil falar sobre esta autora, pois ela teve uma vida bem conturbada, e existem vários pontos de vista sobre o assunto. Sylvia Plath (27 de outubro de 1932) foi uma poetisa, romancista e contista norte-americana. Foi uma aluna brilhante durante a faculdade, casou-se em 1955 com o poeta britânico Ted Hughes, se mudaram para a Europa e tiveram dois filhos. Seu casamento sofria vários obstáculos, principalmente pela infidelidade do marido. Sua depressão, que parece ter carregado durante toda vida, se agravou muito, e ela teve várias tentativas de suicídio. Na manhã de 11 de fevereiro de 1963, Plath veda completamente o quarto das crianças com toalhas molhadas e roupas, deixando leite e pão perto de suas camas, tendo ainda o cuidado de abrir as janelas do quarto. De seguida, toma uma grande quantidade de narcóticos, deitando logo após a cabeça sobre uma toalha no interior do forno, com o gás ligado. Na manhã seguinte foi encontrada morta pela enfermeira que havia contratado, a história de sua morte repercutiu muito na época e impressiona até os dias de hoje.

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