quarta-feira, 26 de outubro de 2016

"A Tormente de Espadas", de George R. R. Martin

Começo dizendo que este terceiro livro foi o melhor até agora na saga As Crônicas de Gelo e Fogo. O primeiro, A Guerra dos Tronos, foi introdutório, apresentando personagens e lugares; o segundo, A Fúria dos Reis, foi intermediário, sem grandes acontecimentos; já este terceiro, A Tormenta de Espadas, conseguiu  ter um equilíbrio entre mostrar o cotidiano dos personagens e vários eventos chocantes. Isso é o máximo que posso falar sem entregar spoilers, quem estiver interessado continue lendo abaixo.


A TORMENTE DE ESPADAS
George R. R. Martin
884 páginas
Editora LeYa

Nesta história descobrimos que Robb Stark, um dos principais combatentes na Guerra dos Cinco Reis, acaba tomando uma decisão que culminará em sua derrota na batalha. Robb, invés de casar com uma Frey, casa à qual estava aliado na guerra, se casará com outra mulher. Este fato se torna o pontapé para um dos capítulos mais chocantes e comentados da história, e que vai levar o destino da trama para outro caminho.

Catelyn: Eu nunca fui de gostar muito da personagem, quem leu meus outros posts sabe disso, e posso dizer que minha aversão por ela só aumentou. A primeira decisão errada que Catelyn tomou foi ter libertado o Jaime, que era mantido refém dos Starks. Em uma tentativa de resgatar as filhas, encarregou Brienne de levar o Regicida até Porto Real e fazer uma troca com os Lannisters. Obviamente isso daria problemas, e só não acho que essa decisão foi pior porque conseguimos ver a relação do Jaime com a Brienne. Na metade do livro, ela teima em ir com Robb para o Casamento Vermelho, outra decisão errada, pois se tivesse obedecido o filho teria sobrevivido. No Epílogo do livro ainda temos uma surpresa, ela volta dos mortos como Lady Stoneheart, que é uma ideia que não sei se me agradou.

Jaime: Pela primeira vez o Regicida ganha ponto de vista. Sim, ele é um personagem detestável, mas todo mundo me dizia que acabaria simpatizando com ele antes de terminar o livro. Eu esava duvidando muito disso, mas não é que no fim eu realmente passei a gostar do personagem? O desenvolvimento de sua relação com a Brienne é incrível, vai se construindo aos poucos e se torna uma verdadeira amizade, com uma confiança mútua. Descobrimos um pouco mais sobre seu passado, tanta a relação incestuosa com a Cersei quanto seu começo na Guarda Real. Uma das grandes revelações da história foi justamente ele ter explicado que o Rei Louco pretendia explodir Porto Real durante a revolta de Robert, e por isso foi obrigado a ter matado o rei que jurou proteger. Ele perde uma mão, em um dos momentos mais tensos da história, e quando volta para Porto Real consegue ver que todos estão diferentes. Resgata Tyrion no final, o que me deixou feliz, e ainda acaba descobrindo que Cersei o tem traído com um monte de homens, coisa que com certeza trará consequências no próximo livro.

Arya: A história da personagem não mudou muito com relação ao livro passado, ela simplesmente continua perambulando por Westeros. A coisa mais interessante que aconteceu com a personagem foi ter encontrado a Irmandade sem Estandartes, uma sociedade de foras da Lei, principalmente seu creepy líder, Beric Dondarrion. Não gostei muito da relação dela com o Sandor Clegane (o Cão de Caça) e no fim do livro ela finalmente toma a decisão de seguir a dica de Jaqen H'ghar. Valar morghulis!

Tyrion: Vai sofrer várias humilhações e passar por situações desagradáveis, principalmente em seu próprio casamento, em seguida no casamento de Joffrey, e por fim em seu julgamento. Aqui Tyrion torna-se mais do que nunca um personagem amargurado.  Gostei muito dele ter matado Twin Lannister. Falo mais sobre ele na parte de eventos chocantes do livro.

Davos: É o representante da parte de Stannis e Melisandre na história. Ele conseguiu sobreviver a batalha que aconteceu no final do segundo livro e volta sedento em uma tentativa de matar a feiticeira (coisa que não consegue). Ele está ficando cada vez mais descontente com a relação de Stannis e Melisandre, ainda mais depois de descobrir como funcionam as magias que ela faz.

Sansa: É aquela persoangem que não evoluiu nada ao longo dos três livros. Gostei muito de sua relação com Margaery, e principalmente sua avó, a Rainha dos Espinhos. Seu capítulo mostrando o casamento com o Tyrion foi um dos melhores, realmente deu para sentir seu desconforto na pele. Vai finalmente fugir de Porto Real, mas será que conseguirá tomar as rédeas da própria vida?

Jon: É um personagem que me desagrada cada vez mais, seus capítulos são muito chatos, ele continua com os selvagens e sua relação amorosa com Ygritte. Em um momento acaba voltando para a Patrulha da Noite e ainda se torna Comandante. A coisa mais interessante é que Stannis e Melisandre seguiram para a Muralha em busca dele. Quais são os reais interesses dos dois com Jon? Esse é uma parte que fica para as continuações.

Daenerys: A mãe dos dragões é a personagem que mais evolui ao longo da saga, e não preciso nem dizer que ela tem alguns dos melhores capítulos. A personagem vai conquistando cada vez mais territórios no continente de Essos, ao mesmo tempo que terá que lidar com a descoberta de traições e um novo atraente personagem. A partir de agora as decisões que tomar começarão a ficar mais difíceis.

Bran: Está aprimorando ainda mais suas habilidades mágicas. Segue em uma tentativa de ir para além da Muralha encontrar o Corvo de Três Olhos. É um personagem que não ganha tanto destaque dessa vez.

Samwell: O Sam ganha capítulos próprios desta vez, e tenho que admitir que eles são bem chatos. A única coisa relevante em seus capítulos é que Mormont (líder da Patrulha da Noite) morre, e que vidro de dragão consegue matar os Outros. Em outras partes a única coisa que faz é reclamar do frio e pedir misericórdia a Mãe.

Mindinho: Petyr Baelish (ou Mindinho, como é seu apelido) não tem ponto de visto na trama, mas acaba sendo um personagem importante. Ele é o responsável por fazer a Sansa fugir de Porto Real, e não apenas isso, nós descobrimos que ele está por trás de várias outros momentos chave da história. As cenas que ele aparece acabam sendo engraçadas, e o final, quando empurra um personagem para o precípcio, se torna um dos melhores finais de livros!

Eventos chocantes!

Não poderia encerrar este post sem falar dos dois grandes eventos chocantes do livro, o interessante é que ambos acontecem em casamentos. Quando digo chocantes, quero dizer inesperados, aqueles eventos que Martin cria para nos pegar de surpresa. Confesso que não achei o Casamento Vermelho tão chocante assim, eu já esperava o pior quando soube que Catelyn incentivou a decisão do irmão em casar com uma Frey. Como a Cat toma todas as decisões erradas na história, logicamente a cerimônia iria dar errado. Essa cena com certeza deve ter ficado bem mais pesada na série.

Já a morte do Joffrey foi um capítulo brilhante. Tem toda uma tensão entre o Joffrey e Tyrion, eles ficam soltando farpas um no outro, tentando ver quem consegue fazer o outro se sentir inferior. Joffrey em um momento joga vinho na cabeça de Tyrion, e ainda o humilha sem que o outro possa revidar. É então que, no meio de uma frase, Joffrey começa a engasgar e morrer. É uma cena que todos os leitores devem ter gostado, visto que era um dos personagens mais detestados de todos! A cena, ao meu ver, foi muito melhor que o Casamento Vermelho.

Então pessoal, é isso, acho que falei de tudo que considerei importante, se sentiram que esqueci de algo, coloquem nos comentários! Volto a falar sobre os próximos livros somente no ano que vem!

0 comentários:

Postar um comentário