segunda-feira, 14 de agosto de 2017

"O Festim dos Corvos", de George R. R. Martin

Esse livro ocupou boa parte do meu tempo dedicado a leituras, e pela demora que levei para terminar, posso dizer que o ritmo da história é o mais calmo de todos. É uma obra sem grandes acontecimentos como guerras ou reviravoltas, e por isso minha leitura foi mais lenta, tentei me adequar ao próprio ritmo da trama. Não preciso nem comentar, mas abaixo haverá SPOILERS! Se você está aqui provavelmente já leu o volume e quer saber minha opinião!

O FESTIM DOS CORVOS
George R. R. Martin
644 páginas
Editora LeYa

O post será diferente dos outros que comentei da saga, justamente por esse livro ter sua estrutura modificada pelo Martin. Provavelmente todo mundo já sabe, mas o escritor resolveu dividir o quarto volume em dois. Ao fazer isso, ele acabou separando os núcleos de personagens. O Festim dos Corvos é em sua grande maioria sobre o pessoal que está em Westeros, e A Dança dos Dragões é sobre os personagens que estão na região da muralha de gelo e no continente de Essos. Ou seja, não teremos ponto de vista de todos os personagens, mesmo eles sendo citados. Outra mudança é que os personagens novos que ganham pontos de vista não possuem seus nomes nos títulos, cada capítulo deles possui um título diferente. Por essa razão, não pretendo ficar comentando sobre cada personagem, vou falar deles dentro de seus núcleos, comentando em específico apenas um ou outro personagem mais importante.

Família Greyjoy: Nunca gostei da família Greyjoy, e não foi dessa vez que passei a simpatizar por eles. Vamos ficar conhecendo um pouco mais sobre a religião do Deus Afogado e os costumes desse lado de Westeros. Os capítulos vão girar em torno de quem vai suceder Balon Greyjoy depois que ele morreu, pois era ele que comandava aquela área. O sucessor natural seria seu filho homem mais velho, mas como Theon sumiu desde a invasão em Winterfell, o cargo de comandante vai passar para um de seus tios (irmãos de Balon). Veremos mais sobre a história dessa estranha família e toda a relação tempestuosa que eles possuem. Meus capítulos favoritos são da Asha, que é mulher e segundo as leis deles não pode governar, mas mesmo assim vai peitar os tios para conseguir seu lugar.

Família Martell: Eles são um núcleo novo dentro da saga, e falo isso porque é a primeira vez que personagens da região de Dorne (bem ao sul de Westeros) ganham ponto de vista, mesmo eles sendo figuras relevantes em outros momentos anteriores da cronologia. Desta vez veremos os Martell revoltados com a morte de Oberyn (Víbora Vermelha) e com a confissão que conseguiu arrancar do Montanha, responsável pela morte de Elia Martell e seus filhos. O enredo de Dorne com certeza é o que traz o maior número de novidades, mas explicar tudo aqui ficaria cansativo. A personagem que foi apresentada dentro deste núcleo e que mais gostei foi a Arianne Martell, uma mulher muito estrategista para conseguir o que quer. E já as Serpentes de Areia (filhas do Oberyn) são personagens que tem uma grande oportunidade de crescer dentro da trama. Esse núcleo foi uma dos melhores de acompanhar, e aguardo que Dorne ganhe maior importância nas continuações.

Sansa (Alayne): Pela primeira vez na saga a Sansa começa a ficar interessante. Desde que ela se juntou ao Petyr (Mindinho) ela está mais participativa no jogo dos tronos, e não apenas uma vítima de personagens maiores. Ela agora se chama Alayne, e pinta os cabelos para fingir ser filha bastarda do Mindinho. Juntos estão tramando planos para conquistar o Vale Arryn e futuramente Winterfell. Será que dessa vez Sansa finalmente vai acertar seu rumo?

Arya: A outra filha Stark até que enfim chega em Braavos, que é a cidade mais poderosa das Cidades Livres. Ela segue para a Caso do Preto e Branco para começar seu treinamento para se tornar um membro dos Homens Sem Rosto, que é a famosa sociedade secreta de assassinos. Por enquanto seu treinamento não está sendo enfadonho de ler.

Samwell: Outro personagem que está indo para Braavos é o Sam, e basicamente presenciamos sua viagem até a cidade. Sempre fui de reclamar do personagem, mas neste livro ele até está bem suportável. Jon Snow quer que ele vire Meistre, e só no capítulo final ele chega na Citadela, que é o local onde os homens estudam para conseguir o cargo. A coisa mais notável em seus capítulos é ele ter encontrado Arya e depois um misterioso arquimeistre chamado Marwyn, que faz revelações bem impressionantes.

Brienne: Eu adoro a personagem, mas sinceramente achei seus capítulos os mais fracos. A Donzela de Tarth foi ordenada por Jaime a prosseguir em busca de Sansa Stark. Desde o começo do capítulo eu já imaginava que ela não encontraria a filha de Catelyn, então basicamente só vemos ela caminhando pelo continente e descobrindo histórias menores dos moradores de Westeros. É de certo modo fascinante, visto que mesmo esses pequenos detalhes ainda enriquecem o universo criado pelo Martin, que sempre foi um autor que se preocupou bastante com isso. Meu capítulo favorito dela foi quando chega na Ilha Quieta, um local onde todos fazem voto de silêncio.

Família Tyrell: Olenna consegue casar Margaery com Tommen (para aborrecimento de Cersei), e a jovem rouba facilmente a atenção do garoto, enquanto Loras se torna um dos cavaleiros que o rei mais gosta. Os Tyrell tem se tornado uma das famílias que mais gosto, minha única reclamação foi com a forma que o escritor resolveu tirar o Loras de Porto Real. O personagem vai para uma batalha épica, é quase morto, mas não temos um ponto de vista sequer para relatar o que aconteceu!

Cersei: A rainha finalmente ganha ponto de vista, e posso dizer que é a melhor coisa do livro! Depois da morte de Joffrey e do pai, está desconfiando de todo mundo e fica completamente paranoica. Acaba afastando outros Lannister, inclusive o irmão Jaime, e monta sua própria corte com várias pessoas suspeitas. Ela cria um plano ardiloso para afastar Margaery Tyrell do filho Tommen, querendo acusar a jovem de ter cometido adultério, porém o Alto Pardal (um membro da religião da Fé dos Sete e que está ganhando cada vez mais poder) duvida da confissão e descobre toda a verdade. No fim das contas, quem acaba sendo presa e indo a julgamento é a própria Cersei. Todo esse desenrolar da personagem é uma das coisas mais satisfatórias da obra.

Jamie: O Lannister segue firme na Guarda Real, mesmo tendo perdido uma mão, estando disposto a voltar seus treinos e conseguir dominar a espada com sua mão saudável. Jamie também está cada vez mais desconfiado de que as acusações de Tyrion sobre sua irmã ter o traído com vários outros homens sejam verdadeiras, isso aliado a atitudes de Cersei o fazem se afastar da irmã. Ele está se provando ser um dos meus personagens favoritos da saga.

Uma outra coisa curiosa sobre esse quarto volume é ele ter bem menos capítulos que os anteriores, porém o tamanho e a quantidade de páginas é maior. Também não estou criando expectativas para a continuação, já prevejo que seguirá o ritmo calmo deste volume. Meu medo é que talvez o Martin tenha deixado muita coisa para o próximo, e que isso pode gerar um grande aglomerado de confusão. Agora voltarei a minha programação normal de leituras...

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